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Política

Entenda por que ex-ministro de Bolsonaro entrou na mira das investigações do Caso Master

Repasses de R$ 11 milhões a Ronaldo Vieira Bento conectam novo personagem a uma apuração que já envolve políticos

Entenda por que ex-ministro de Bolsonaro entrou na mira das investigações do Caso Master

A revelação de que o ex-ministro da Cidadania do governo Jair Bolsonaro, Ronaldo Vieira Bento, recebeu cerca de R$ 11 milhões do Banco Master e de empresas ligadas ao conglomerado adiciona um novo capítulo às investigações que cercam o grupo financeiro de Daniel Vorcaro. A informação foi divulgada nesta terça-feira (16) pelo Intercept Brasil.

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Os pagamentos ocorreram após a passagem de Bento pelo governo federal. O ex-ministro comandou o Ministério da Cidadania entre março e dezembro de 2022, período em que participou da autorização do empréstimo consignado destinado a beneficiários do Auxílio Brasil.

Depois de deixar o cargo, ele passou a atuar em empresas ligadas ao Banco Master, atualmente investigado na Operação Compliance Zero.

De acordo com a reportagem, R$ 773,3 mil teriam sido pagos diretamente ao ex-ministro, enquanto o restante dos recursos foi destinado a empresas das quais ele participava.

Em nota, Ronaldo Vieira Bento afirmou que os valores correspondem à remuneração por serviços prestados ao grupo financeiro e negou qualquer irregularidade.

Consignado já aparecia em outras frentes da investigação

A nova revelação surge em um contexto em que operações de crédito consignado já haviam aparecido em diferentes etapas das apurações envolvendo Daniel Vorcaro.

O Brasilianista mostrou que o modelo de crédito consignado operado pelo Banco Master por meio do CredCesta também esteve presente em discussões envolvendo Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro.

O texto citava críticas ao ex-governador mineiro Romeu Zema após mudanças nas regras de endividamento do funcionalismo pouco antes da expansão da modalidade no estado.

O CredCesta foi criado por Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master, e passou a ser utilizado em diferentes unidades da federação, tornando-se um dos produtos mais associados à expansão da instituição financeira.

O Brasilianista informou que uma nova proposta de colaboração premiada apresentada por Daniel Vorcaro menciona supostos pagamentos relacionados à operação do CredCesta na Bahia.

O programa funcionava por meio de cartão consignado voltado a servidores públicos, com desconto das parcelas diretamente na folha salarial.

Investigações alcançam diferentes estados

As apurações sobre o Banco Master deixaram de se concentrar apenas na atuação da instituição financeira e passaram a alcançar gestores públicos, fundos previdenciários e agentes políticos de diferentes partidos.

O Brasilianista detalhou como o Tribunal de Contas da União (TCU) passou a analisar desdobramentos relacionados ao banco. Entre os temas citados estão pedidos de investigação sobre possíveis vínculos entre recursos movimentados por Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse, produção ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O Tribunal de Contas do Distrito Federal também acompanha os impactos do caso sobre o Banco de Brasília (BRB), após a descoberta de ativos considerados problemáticos vinculados ao Master. O texto menciona ainda investigações envolvendo aportes realizados por fundos públicos e possíveis prejuízos bilionários.

Outro foco das autoridades está nos investimentos realizados por fundos previdenciários estaduais e municipais. O Brasilianista relatou que operações envolvendo o Rioprevidência e o fundo PreviPaulista passaram a ser analisadas pela Polícia Federal em razão de aplicações relacionadas ao Banco Master.

Negociações para salvar o BRB e avanço da delação

Além das investigações criminais, o caso também passou a produzir efeitos no sistema financeiro e nas negociações entre governos.

O Brasilianista informou que governo federal, Distrito Federal e BRB iniciaram tratativas para construir uma solução para a crise provocada pelos problemas identificados na relação entre as duas instituições.

As discussões envolvem empréstimos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e mecanismos de garantia para preservar a liquidez do banco estatal brasiliense.

O Brasilianista relatou que Daniel Vorcaro ampliou o alcance político de sua tentativa de colaboração premiada. O material menciona nomes de lideranças nacionais, integrantes do União Brasil e também figuras ligadas ao PT da Bahia. As informações ainda dependem de validação pelas autoridades responsáveis pela investigação.

Monitoramento em Trancoso entrou no radar da investigação

A atuação de Daniel Vorcaro na Bahia também passou a ocupar espaço nas investigações da Polícia Federal. Mensagens encontradas no celular do banqueiro mostram preocupação constante com movimentações próximas à sua propriedade em Trancoso, no litoral sul do estado, onde ele mantinha uma residência avaliada em cerca de R$ 280 milhões.

A reação mais intensa ocorreu após o sobrevoo de um helicóptero nas proximidades do imóvel. Nas conversas analisadas pela PF, Vorcaro demonstrou suspeita de que estava sendo monitorado e determinou que integrantes de sua estrutura identificassem quem teria contratado a aeronave e qual era o objetivo da operação.

O episódio ganhou relevância porque, de acordo com os investigadores, a movimentação foi seguida pelo acesso a informações sigilosas relacionadas ao caso.

O material apreendido indica que pessoas ligadas ao banqueiro obtiveram um ofício interno do Ministério Público Federal que tratava justamente do voo realizado na região de Trancoso, antes mesmo da formalização completa do documento.

A investigação também aponta possível acesso indevido a sistemas restritos da própria Polícia Federal. Um dos registros citados no relatório mostra o compartilhamento de consultas envolvendo inquéritos e procedimentos relacionados a Vorcaro.

Para os investigadores, a sequência de fatos reforça a suspeita de que o grupo buscava monitorar apurações em andamento e antecipar medidas adotadas pelas autoridades.

Nota Ronaldo Vieira Bento

“Os pagamentos mencionados pela reportagem se referem à remuneração do trabalho de Ronaldo Vieira na assessoria da instituição financeira. A remuneração, devidamente declarada ao fisco, é compatível com os valores do mercado. Não há qualquer irregularidade nas operações citadas. Ronaldo Vieira não conhece e nunca teve qualquer contato com o jornalista Josiel Ferreira e os demais personagens citados pelo site. Ninguém está autorizado a atuar ou falar em nome de Ronaldo Vieira, exceto a assessoria de imprensa. Ronaldo Vieira não fará qualquer comentário sobre a dinâmica de encontro entre jornalistas profissionais.”

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