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Política

Entenda o vaivém da briga política entre Michelle e Flávio Bolsonaro

Michelle Bolsonaro publicou vídeo expondo crise de preferências com Flávio Bolsonaro

34% dos eleitores acham que Michelle quer substituir Flávio na disputa pela Presidência

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, protagonizam um embate nos últimos dias. Michelle afirmou nas redes sociais ter sido maltratada, humilhada e desrespeitada pelo enteado durante uma conversa telefônica ocorrida no fim de 2025.

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“Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. Então, me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço”, disse Michelle.

Ela ainda não havia se pronunciado sobre a candidatura de Flávio desde que ele foi escolhido para ser o substituto do bolsonarismo na disputa pela Presidência. Na manhã desta quinta-feira (25), poucas horas após publicar o vídeo que motivou a polêmica, Michelle Bolsonaro afirmou que “não há briga, nem competição” entre Flávio e ela.

“Apenas esclareci uma situação que estava sendo deturpada”, detalhou a ex-primeira-dama.

Quando a crise começou

A origem do conflito surgiu em meio às articulações políticas para as eleições de 2026 no Ceará. A ex-primeira-dama criticou publicamente, durante um evento realizado em Fortaleza no fim de 2025, a aproximação do grupo político com Ciro Gomes, lembrando as críticas feitas pelo ex-ministro a Jair Bolsonaro nos últimos anos.

Michelle defende que o apoio seja direcionado ao senador Eduardo Girão (Novo) na disputa pelo governo do estado.

Após o episódio, Flávio Bolsonaro teria dito, em uma ligação telefônica, que Michelle deveria ficar de fora das decisões partidárias, pois não entenderia de política. Desde então, a ex-primeira-dama teria se afastado das articulações políticas.

Outras divergências

Michelle também demonstrou insatisfação com a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina. Ela tinha preferência por apoiar a deputada federal Caroline de Toni (PL), que também disputará uma vaga no Senado.

Além disso, chegou a manifestar apoio ao senador Esperidião Amin (PP-SC), considerado um dos principais adversários de Carlos Bolsonaro na disputa.

Resposta de Flávio Bolsonaro

O senador chegou a pedir desculpas a Michelle em uma publicação nas redes sociais, afirmando não desejar entrar em qualquer tipo de embate com a ex-primeira-dama.

“Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas. Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil”, afirmou Flávio.

Na mesma publicação, o senador disse que a família está passando por um momento difícil e que compreende a angústia de Michelle ao ver Jair Bolsonaro enfrentar, segundo ele, sucessivas injustiças.

Campanha tenta reduzir desgaste e conter crise com Michelle

A campanha do senador Flávio Bolsonaro à Presidência tem buscado conter os impactos da crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e reduzir o desgaste público dentro do grupo político da família, segundo a coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

De acordo com a publicação, a estratégia da equipe é “abafar” a repercussão do conflito e evitar que as divergências internas reforcem a imagem de divisão no bolsonarismo em um momento de articulação eleitoral para 2026.

O episódio ganhou força após declarações de Michelle relatando desentendimentos com o enteado, o que expôs tensões dentro do núcleo político da família Bolsonaro. Ainda segundo a coluna, aliados de Flávio avaliam que a exposição do caso pode prejudicar sua imagem e comprometer sua tentativa de consolidar apoio dentro da direita.

A campanha, segundo a análise publicada, tenta reorganizar a comunicação para reduzir o impacto político do conflito e preservar a unidade do grupo em meio à disputa presidencial.

Direita dividida

Enquanto a esquerda brasileira segue unida em torno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como principal referência para as eleições de 2026, a direita ainda apresenta divergências internas.

Ainda não existe um nome consolidado como sucessor político de Jair Bolsonaro e, dentro da própria família do ex-presidente, há conflitos de interesse sobre os rumos do grupo político.

De acordo com reportagem da revista britânica The Economist, a direita brasileira encontra-se fragmentada. A publicação cita como possíveis candidatos os governadores Tarcísio de Freitas, de São Paulo, Ronaldo Caiado, de Goiás, e Romeu Zema, de Minas Gerais, além de Flávio Bolsonaro.

O texto também destaca disputas internas envolvendo a família Bolsonaro e outros nomes do campo conservador, enquanto o governo Lula segue apostando em medidas de forte apelo popular com potencial impacto no cenário eleitoral.

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