A ONG controlada por Karina Ferreira Gama, Instituto Conhecer Brasil (ICB), firmou contrato com a Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda. A empresa possuía um único sócio, Alex Leandro Bispo dos Santos, que foi apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) pelo Ministério Público (MP).
Vale lembrar, também, que Karina Gama é dona da Go Up Entertainment, responsável pela produção do longa-metragem biográfico ‘Dark Horse’, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em reportagem do G1, a ICB contratou o serviço da empresa Favela Conectada para a instalação de Wi-Fi gratuito em praças periféricas da cidade de São Paulo.
O contrato firmado entre ICB e Favela Conectada foi de R$ 12 milhões, assinado logo após a contratação da ICB pela Secretaria de Inovação e Tecnologia da gestão de Ricardo Nunes (MDB). O prefeito de São Paulo é aliado de Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo e ex-ministro da Infraestrutura no governo Bolsonaro.
Na contratação, consta apenas o nome do então sócio da companhia, Alex Leandro Bispo dos Santos. Segundo investigação do MP, Santos possui uma longa ficha criminal e já cumpriu pena em dois presídios com integrantes da cúpula do PCC. Além disso, o nome do investigado aparece em cerca de 60 processos judiciais.
Santos está preso preventivamente, acusado de feminicídio contra Maria Katiane Gomes da Silva, sua companheira na época.
Em nota, a defesa de Santos nega o envolvimento de seu cliente com o PCC, afirmando que evidência não é prova. Sobre o caso de feminicídio, o advogado afirmou que Santos não jogou sua namorada do 10º andar, como o MP quer acreditar.
ICB e a prefeitura de São Paulo
A IBC e a prefeitura de São Paulo firmaram contrato de parceria em junho de 2024 para a instalação de pontos de internet em praças periféricas da cidade. Segundo apurou O Brasilianista, a ONG apresentou ao menos R$ 16,5 milhões em notas fiscais irregulares no município.
As prestações de contas da organização mostraram documentos irregulares, como notas milionárias canceladas e recibos sem valor fiscal que justifiquem o gasto de até R$ 4,3 milhões entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025. Investigada tanto pela MP quanto pela polícia civil, a ONG possui contrato firmado com a gestão de Nunes de R$ 108 milhões.
A prefeitura nega irregularidades, desvios ou ilegalidades na execução dos contratos, além de negar que haja correlação entre a contratação da ICB e o filme Dark Horse. Karina afirma desconhecer notas canceladas por fornecedores e, também, que busca regularizar as inconsistências em notas emitidas pelo instituto.
O financiamento de Dark Horse
As últimas polêmicas sobre o filme biográfico Dark Horse residem em seu financiamento. Conforme apurou O Brasilianista, a produção custou cerca de US$ 13,3 milhões, ou seja, aproximadamente R$ 75 milhões na cotação da época da gravação.
Além das relações entre a dona da Go Up e a prefeitura de São Paulo, o filme foi financiado individualmente por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, em cerca de R$ 134 milhões.
Com isso, segundo apuração de O Brasilianista, a pesquisa de intenção de voto realizada após os desdobramentos de Dark Horse mostrou uma queda de Flávio Bolsonaro em relação ao seu oponente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento mostrou uma vantagem de 9 pontos percentuais ao petista.

