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Política

Quem é quem na “bancada das bets”?

Levantamento identificou 12 deputados e senadores de oito partidos que atuaram em favor do mercado de apostas

Quem é quem na “bancada das bets”?

O avanço da regulamentação das apostas esportivas e dos cassinos virtuais no Brasil contou com forte articulação política dentro do Congresso Nacional.

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Levantamento publicado pelo Estadão identificou 12 deputados e senadores que, segundo o jornal, atuaram de forma coordenada para defender interesses do setor durante a tramitação do projeto enviado pelo governo federal.

A atuação do grupo resultou em mudanças relevantes no texto, como a redução da carga tributária das empresas, a ampliação dos prazos de adaptação e a inclusão dos cassinos online na legislação.

Além da atuação legislativa, essa articulação política também contribuiu para enfraquecer mecanismos de fiscalização do próprio Congresso.

O principal exemplo foi a CPI das Bets, encerrada em 2025 sem aprovação do relatório final e sem pedidos de indiciamento de grandes plataformas de apostas ou influenciadores investigados.

Virginia Fonseca na CPI das Bets (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Os parlamentares apontados pelo jornal pertencem a oito partidos diferentes, da esquerda à direita, passando pelo Centrão.

Embora tenham atuado em torno da mesma pauta, possuem trajetórias bastante distintas.

O grupo reúne líderes partidários, ex-ministros, presidentes de comissões e parlamentares que já foram alvo de delações premiadas, denúncias do Ministério Público, operações policiais, condenações judiciais ou embates políticos de grande repercussão.

Da Odebrecht ao Banco Master: quem são os parlamentares

Adolfo Viana (PSDB-BA)

Adolfo Viana (Foto: Câmara dos Deputados)

Deputado federal pela Bahia desde 2019, Adolfo Viana é servidor público e atualmente ocupa posições de liderança na federação PSDB-Cidadania na Câmara.

Ele integra a chamada “bancada das bets” e participou da articulação que alterou o texto da regulamentação das apostas esportivas.

Seu nome apareceu nas delações da Odebrecht. Em 2017, executivos da empreiteira afirmaram que ele teria recebido R$ 50 mil em recursos não contabilizados para a campanha de 2010.

O parlamentar negou irregularidades, afirmou que todas as doações foram declaradas à Justiça Eleitoral e disse confiar no esclarecimento dos fatos.

Elmar Nascimento (União-BA)

Elmar Nascimento (Foto: Câmara dos Deputados)

Advogado, ex-deputado estadual e um dos parlamentares mais influentes da Câmara, Elmar Nascimento exerce o terceiro mandato como deputado federal.

Ele faz parte do grupo que atuou em favor das empresas de apostas durante a regulamentação.

Em 2025, familiares e aliados políticos foram alvo da Operação Overclean, da Polícia Federal, que investiga desvios de recursos ligados a emendas parlamentares.

Um irmão e um primo do deputado foram investigados. Elmar não foi alvo da operação, mas o caso ampliou o escrutínio sobre seu grupo político.

Felipe Carreras (PSB-PE)

Felipe Carreras (Foto: Câmara dos Deputados)

Deputado federal desde 2015, Felipe Carreras foi relator da CPI da Manipulação de Resultados no Futebol.

Ele participou da articulação parlamentar favorável às bets e teve protagonismo nas discussões sobre o marco regulatório.

Em 2023, ele teria sido acusado de pedir R$ 35 milhões ao presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias para proteger casas de apostas durante a CPI.

Não havia prova material da acusação. Carreras negou qualquer pedido de propina e disse que as notícias se baseavam em boatos.

Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP)

Luiz Philippe de Orleans e Bragança (Foto: Câmara dos Deputados)

Administrador, cientista político e deputado federal desde 2019, tornou-se uma das principais lideranças conservadoras da Câmara.

Ele integra a bancada favorável ao setor de apostas.

Em 2026, foi alvo de representação criminal apresentada à Procuradoria-Geral da República por suposta intolerância religiosa e racismo contra a comunidade islâmica após divulgar materiais de um projeto conhecido como “PL Anti-Sharia”.

João Carlos Bacelar (PV-BA)

João Carlos Bacelar (Foto: Câmara dos Deputados)

Deputado federal desde 2015, Bacelar também foi vereador de Salvador, deputado estadual e secretário municipal.

Em 2022, foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Segundo a acusação, recebeu R$ 400 mil da Odebrecht para atuar em benefício da empreiteira no Congresso. A defesa afirma que a denúncia se baseia apenas em delações premiadas e nega qualquer irregularidade.

Angelo Coronel (PSD-BA)

Angelo Coronel (Foto: Senado Federal)

Empresário e senador pela Bahia desde 2019, Angelo Coronel presidiu a CPI das Fake News e relatou o projeto que originou a Lei das Fake News no Senado.

Ganhou notoriedade ao denunciar campanhas de desinformação contra sua atuação e acionar a Polícia Legislativa e a Advocacia do Senado para identificar os responsáveis pelas publicações.

Ciro Nogueira (PP-PI)

Ciro Nogueira (Foto: Senado Federal)

Ex-ministro da Casa Civil e um dos principais líderes do Centrão, Ciro Nogueira está no Senado desde 2011.

Em 2026, voltou ao centro das investigações envolvendo o Banco Master. Como mostrou O Brasiliaista, documentos analisados pela Polícia Federal mencionam encontros, viagens, movimentações financeiras e supostos pagamentos relacionados a empresas da família do senador. As investigações continuam e não há condenação contra o parlamentar.

Irajá (PSD-TO)

Irajá (Foto: Senado Federal)

Empresário e senador pelo Tocantins, Irajá é um dos principais defensores da legalização ampla dos jogos de azar no Congresso.

Em 2020, tornou-se alvo de investigação após denúncia de estupro registrada por uma modelo em São Paulo. O senador negou as acusações, pediu exames periciais e afirmou ser inocente.

Antes disso, também foi apontado pela Repórter Brasil como o parlamentar com maior área desmatada vinculada ao mandato após autuação ambiental do Ibama.

Nelsinho Trad (PSD-MS)

Nelsinho Trad (Foto: Senado Federal)

Médico, ex-prefeito de Campo Grande e senador desde 2019.

Em 2025, foi condenado em primeira instância por improbidade administrativa em ação relacionada a contratos de tapa-buracos durante sua gestão na prefeitura da capital sul-mato-grossense. A defesa informou que recorrerá da decisão.

Rogério Carvalho (PT-SE)

Rogério Carvalho (Foto: Senado Federal)

Médico e senador desde 2019, é um dos líderes do PT no Senado.

Em 2025, foi condenado por fraude à execução em processo relacionado a uma dívida de campanha superior a R$ 1,2 milhão. A Justiça concluiu que houve tentativa de transferência patrimonial para evitar penhora de bens. O senador afirma que recorrerá da decisão.

Romário (PL-RJ)

Romário (Foto: Senado Federal)

Ídolo da Seleção Brasileira e senador desde 2015.

O Brasilianista destacou que em 2026, voltou ao noticiário ao atuar como comentarista esportivo durante a Copa do Mundo enquanto exercia o mandato.

O gabinete informou que a atividade privada era compatível com as funções parlamentares e que todas as obrigações legislativas seriam cumpridas.

Soraya Thronicke (Podemos-MS)

Soraya Thronicke (Foto: Senado Federal)

Advogada e senadora desde 2019, Soraya foi relatora da CPI das Bets.

Embora o Estadão a cite entre os parlamentares centrais da discussão sobre o setor, sua atuação ocorreu principalmente à frente da comissão que investigou as apostas online.

O relatório final elaborado pela senadora acabou rejeitado por quatro votos a três, encerrando a CPI sem pedidos de indiciamento.

Em 2025, Soraya também protagonizou embates políticos ao defender investigação sobre advogados de réus do 8 de Janeiro, declaração que provocou críticas de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O peso político das bets

A atuação da chamada bancada das bets garantiu vitórias importantes para o mercado de apostas durante a tramitação da regulamentação.

Entre elas estão a redução da tributação inicialmente prevista pelo governo, a ampliação dos prazos para adaptação das empresas e a inclusão dos cassinos virtuais na legislação, permitindo a exploração de jogos como o “Tigrinho”.

Hoje, o setor movimenta bilhões de reais por ano no Brasil e segue no centro de investigações conduzidas por polícias civis, Ministérios Públicos e Polícia Federal.

Operações recentes identificaram suspeitas de lavagem de dinheiro, uso de plataformas clandestinas, ligação com organizações criminosas e utilização de influenciadores digitais para promover jogos ilegais.

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