O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou, em nota, que, embora respeite as prerrogativas do Supremo Tribunal Federal (STF), a decisão de suspender aproximadamente R$ 119 milhões em 21 emendas parlamentares representa uma “inferência subjetiva” e uma suposta criminalização da atividade parlamentar.
Valdemar sustenta que “nada há de criminoso” e afirma que não existem indícios de desvios, fraudes ou qualquer tipo de vantagem pessoal. Também negou ter cometido qualquer crime e declarou que “não há qualquer prova ou indício de que tenha aderido conscientemente a um suposto esquema criminoso”.
No entendimento de Valdemar, cabe ao líder partidário “dialogar com os parlamentares, defender prioridades programáticas, articular interesses nacionais e regionais e influenciar politicamente sua bancada”.
Por fim, o presidente do PL afirmou que sua defesa adotará as medidas judiciais cabíveis para contestar os fundamentos da decisão do ministro do STF, Flávio Dino, e das conclusões da Operação Transparência, com o objetivo de “restabelecer a legalidade e preservar suas garantias fundamentais”.
O líder não falou sobre sua relação com Tuca
O Brasilianista revelou, na sexta-feira, 10, que o presidente do partido foi alvo de mais uma etapa da Operação Transparência, instaurada em 2025 para apurar a atuação de parlamentares e de outros agentes na destinação de emendas parlamentares.
Segundo a investigação, a ex-assessora de Arthur Lira (PP-AL), Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, atuava como a principal operadora de algumas figuras políticas, interferindo em um processo que é atribuição exclusiva de parlamentares.
De acordo com a PF, Valdemar Costa Neto passou a direcionar a destinação de emendas parlamentares conforme seus próprios pedidos.
Outra servidora citada na investigação, Nara Benedetti Nicolau Brum, aparece como colaboradora na viabilização dessas emendas atribuídas a Valdemar, encaminhando planilhas e promovendo “ajustes nos destinos e nas áreas temáticas das emendas”. Segundo a PF, ela também mantinha contato com Tuca sobre as indicações atribuídas a “Valdemar (VCN)”.
Valdemar não aceitava mudanças nas emendas
A investigação aponta que Valdemar não aceitava alterações nos destinos das emendas já definidos, mesmo diante de questões técnicas que poderiam impedir o empenho dos recursos. Segundo a decisão, “em ao menos um momento, menciona que tais indicações estariam amparadas por promessa de valores oriundos da cota da Mesa Diretora”.
O advogado Garigham Amarante Pinto, que também ocupava um cargo na liderança do PL, aparece como interlocutor de Valdemar nas tratativas das emendas. Segundo a investigação, por ser uma pessoa de extrema confiança do dirigente partidário, atuava nas negociações dos valores indicados e das áreas que receberiam os recursos.
Garigham, Tuca e Nara atuavam, segundo a PF, conforme as orientações de Valdemar, conduta que a investigação enquadra como peculato-desvio. Eles preenchiam planilhas informando as cotas de cada parlamentar em exercício, das comissões ou da Mesa Diretora, de acordo com as indicações atribuídas ao presidente do partido.
Em uma dessas tratativas, Garigham perguntou a Tuca se “fechou o valor do Pres. Valdemar?”. Tuca respondeu perguntando se poderia alterar a emenda para a Comissão de Turismo. Na sequência, após encaminhar os dados do município e o CNPJ do beneficiário, o advogado respondeu: “24 milhões tá bom”.
No dia seguinte às tratativas, Nara encaminhou uma tabela e informou que precisaria alterar algumas medidas que Valdemar havia definido para o turismo, uma vez que “os municípios não conseguiriam executar”.
Hugo Motta tem 10 dias para apresentar documentos sobre as emendas
Embora a Procuradoria-Geral da República (PGR) tenha se manifestado de forma contrária à decisão, o STF concedeu prazo de dez dias para que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), apresente toda a documentação relacionada às emendas identificadas pela Polícia Federal.
No fim de semana, Motta também manifestou discordância em relação ao bloqueio das emendas atribuídas a Valdemar Costa Neto.
“A decisão em questão não identifica desvio, abuso ou aplicação irregular de verbas públicas.”
O presidente da Câmara também afirmou, em nota, que as emendas estão em “plena conformidade”.

