Quando o senador Ciro Nogueira (PP-PI) começou a ser investigado pela Polícia Federal (PF), na Operação Compliance Zero, Flávio Bolsonaro declarou que “pelo menos, ele tem a sorte de ter, na sua relatoria no Supremo, um ministro que não vai perseguir ninguém, e ele vai ter a oportunidade de se defender, diferente do que aconteceu com Jair Bolsonaro, com o relator Alexandre de Moraes”, durante uma entrevista à CNN.
O ex-ministro da Casa Civil na gestão Bolsonaro e líder do Partido Progressista, que disputa a reeleição ao Senado, passou pelo desgaste sozinho, sem apoio da base, o que levou a um afastamento do pré-candidato à Presidência da República.
O Partido Liberal (PL), de Flávio, articulou alianças antes das convenções para garantir o apoio de partidos de centro, como o União Brasil e o PP.
A análise do deputado federal Fausto Pinato (União-SP), quando conversou com O Brasilianista, explicou que o senador ficou abandonado e, por isso, não havia clima para apoiá-lo nas eleições. Outros políticos analisam que os escândalos de Flávio em torno do ex-banqueiro Daniel Vorcaro sinalizaram o afastamento.
Pinato também dizia que o senador era um grande entusiasta do bolsonarismo.
União-PP e a neutralidade
Nos bastidores, é citado que ainda devem ser reveladas mais informações que podem desgastar a campanha eleitoral de Flávio até o início das eleições.
A decisão da federação União-PP foi pela neutralidade. Ciro e Antônio Rueda, líderes das duas legendas, optaram por não apoiar nenhum candidato à Presidência.
Flávio tentou, inclusive, ter a senadora Tereza Cristina (PP-MS), e também houve conversas com a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) para, eventualmente, juntar a chapa. Todas essas possibilidades foram descartadas. O PP vetou e reforçou a neutralidade, e Flávio e Valdemar, que desejavam a inclusão da senadora, ficaram sem a vice.
A chapa que Flávio anunciou nesta quarta-feira, 5, no último dia de convenções partidárias, é pura. Ele irá compor com o deputado federal Alfredo Gaspar, que ficou conhecido pela ampla atuação como relator da comissão que investigava fraudes de descontos ilegais de aposentados e pensionistas, a CPI do INSS.
A influência da Operação Compliance Zero e o apoio à Presidência da República
Ciro Nogueira ficou triste com a forma como Flávio conduziu, especialmente pela ausência da defesa do amigo publicamente.
Durante a 5ª fase da operação, Nogueira foi alvo de busca e apreensão por possível envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Assim como Jaques Wagner, uma das suspeitas da PF seria uma emenda apresentada pelo senador à PEC 65/2023, que trata sobre novos mecanismos para reforçar a autonomia do Banco Central. O texto estabelece um aumento do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
Uma outra parte da investigação da PF revelou que a CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda, ligada ao senador Ciro Nogueira, comprou a Geen Investimentos S.A. por R$ 1 milhão, valor muito abaixo da participação societária de quase R$ 13 milhões, além de viagens internacionais, hospedagens e repasses iniciais de R$ 300 mil.
Mesmo com esse desgaste, o senador sinalizou que vai votar em Flávio. “Pode ter toda certeza de que o meu voto é dele, não tenha dúvida”. A afirmação foi feita durante a convenção de sua candidatura no sábado, 1º de agosto.
A resposta de Flávio
Ao lado do seu coordenador de campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), Flávio Bolsonaro anunciou, na quinta-feira (6), 47 candidatos ao Senado que recebem o seu apoio nas eleições.
O senador Ciro Nogueira, que concorre à reeleição pelo Piauí, não foi incluído na lista de apoio aos pré-candidatos ao Senado. No lugar dele, Flávio anunciou Tiago Junqueira, pré-candidato ao Senado pelo PL. Entre os pré-candidatos do PP, Flávio anunciou apenas Arthur Lira, em Alagoas, e, em São Paulo, Guilherme Derrite (PP).
Cabe destacar o apoio a Carlos Gaguim (União), Marcel van Hattem (Novo) e Zequinha Marinho (Podemos). O restante da lista são pré-candidatos do próprio partido de Flávio.

