O deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) aparece como um dos principais nomes na disputa por uma das duas vagas ao Senado pelo Rio de Janeiro nas eleições de 2026. Segundo levantamento do Paraná Pesquisas divulgado no início de julho, o parlamentar registra 25,9% das intenções de voto, ocupando a segunda colocação no cenário estimulado, atrás apenas da deputada federal Benedita da Silva (PT), que soma 33%. Como cada eleitor poderá escolher dois candidatos ao Senado, o levantamento coloca Crivella entre os favoritos para conquistar uma das cadeiras fluminenses.
Aos 68 anos, Crivella reúne uma trajetória que passa pelo Senado, pela Prefeitura do Rio de Janeiro, por ministério no governo federal e pela Câmara dos Deputados. Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, ele também é engenheiro civil, escritor e cantor gospel, características que ajudaram a projetar sua imagem pública antes mesmo de ingressar na política.
Início da carreira política
Marcelo Crivella iniciou sua carreira política no começo dos anos 2000, quando foi eleito senador pelo Rio de Janeiro em 2002. Reeleito em 2010, permaneceu na Casa até ser convidado pela então presidente Dilma Rousseff para assumir o Ministério da Pesca e Aquicultura, em 2012.
Após deixar o ministério, voltou ao Senado, onde permaneceu até disputar a Prefeitura do Rio de Janeiro. Em 2016, foi eleito prefeito da capital fluminense no segundo turno, derrotando Marcelo Freixo. Depois de concluir o mandato, retornou à Câmara dos Deputados, cargo que ocupa atualmente.
Passagem pela Prefeitura do Rio
O período em que comandou a Prefeitura do Rio de Janeiro, entre 2017 e 2020, é um dos capítulos mais conhecidos de sua trajetória política. Durante a gestão, Crivella priorizou investimentos em áreas como saúde, conservação urbana e infraestrutura, mas também enfrentou dificuldades provocadas pela crise financeira do município.
Sua administração foi marcada por críticas relacionadas à condução dos serviços públicos, à relação com servidores municipais e à gestão da pandemia de Covid-19 em seu último ano de mandato. Ao fim da gestão, disputou a reeleição, mas foi derrotado no segundo turno pelo então candidato Eduardo Paes.
Investigações e controvérsias
Ao longo da carreira, Marcelo Crivella também esteve envolvido em episódios que repercutiram nacionalmente. Em 2020, durante o exercício do mandato como prefeito, foi alvo da Operação Hades, do Ministério Público do Rio de Janeiro, que investigava um suposto esquema de corrupção na administração municipal.
Na ocasião, Crivella negou qualquer irregularidade e afirmou ser vítima de perseguição política. Os processos relacionados às investigações seguiram tramitando na Justiça, enquanto sua defesa sustentou que não houve participação do então prefeito em atos ilícitos.
Além disso, sua gestão recebeu críticas de adversários por decisões administrativas e pela relação com setores culturais e da imprensa, temas que frequentemente marcaram o debate político durante seu mandato.
Base eleitoral e atuação no Congresso
Depois de retornar à Câmara dos Deputados, Crivella passou a concentrar sua atuação em pautas ligadas ao desenvolvimento urbano, assistência social, liberdade religiosa e defesa de valores conservadores.
Sua base eleitoral continua fortemente vinculada ao eleitorado evangélico, especialmente entre membros da Igreja Universal, além de setores conservadores do estado do Rio de Janeiro. O parlamentar também mantém influência em regiões da capital e da Baixada Fluminense, onde tradicionalmente obtém bom desempenho nas urnas.

