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Política

Paraná Pesquisas é acusado de omitir financiamento do PL; empresa nega

O instituto tornou-se um dos principais responsáveis por levantamentos eleitorais ao longo dos últimos pleitos

Paraná Pesquisas é acusado de omitir financiamento do PL; empresa nega

De acordo com a revista digital Consultor Jurídico, o instituto Paraná Pesquisas teria omitido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que fez pesquisas eleitorais contratadas e pagas pelo Partido Liberal (PL), legenda do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República. A informação foi divulgada pela ConJur, que apresentou documentos que mostram possíveis irregularidades no registro desses levantamentos.

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O PL teria pagado o Paraná Pesquisas por pesquisas de intenção de voto em São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal. Segundo a ConJur, três notas fiscais foram emitidas entre 3 e 23 de fevereiro de 2026 e contém a descrição “prestação de serviço de pesquisa qualitativa, conforme contrato”.

No entanto, ao registrar essas pesquisas no sistema do TSE, o instituto teria informado que os próprios levantamentos foram custeados pelo Paraná Pesquisas. A legislação eleitoral determina que toda pesquisa de intenção de voto registrada junto ao Tribunal deve informar quem financiou o estudo e o valor investido.

Ainda de acordo com a ConJur, os registros feitos pelo instituto em 2026 mostram quatro pesquisas feitas em São Paulo, três no Rio de Janeiro e uma no Distrito Federal. Em todas elas, o campo destinado ao contratante indicava que o financiamento havia sido feito pelo próprio Paraná Pesquisas, sem mencionar o PL como contratante.

Diferença entre valores

Outro ponto destacado pela reportagem da ConJur diz respeito aos valores informados. Enquanto os registros encaminhados ao TSE apontam custos individuais entre R$ 40 mil e R$ 50 mil por pesquisa, as notas fiscais indicam que apenas três levantamentos somaram cerca de R$ 375 mil pagos pelo partido.

Caso fossem confirmadas irregularidades, a conduta poderia ser investigada com base no artigo 33, parágrafo 4º, da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997), que trata da divulgação de pesquisa fraudulenta. A legislação prevê pena de detenção de seis meses a um ano, além de multa e eventual suspensão da divulgação da pesquisa.

Histórico do Paraná Pesquisas

O instituto Paraná Pesquisas tornou-se um dos principais responsáveis por levantamentos eleitorais no país e, ao longo dos últimos pleitos, seus números no estado do Paraná costumam indicar desempenho favorável aos candidatos da família Bolsonaro.

Nas eleições presidenciais de 2018, pesquisas divulgadas pelo instituto apontavam ampla vantagem de Jair Bolsonaro sobre Fernando Haddad no estado. O resultado das urnas confirmou a liderança do então candidato do PSL entre os eleitores paranaenses.

Em 2022, o cenário se repetiu. Levantamentos realizados pelo Paraná Pesquisas mostraram Jair Bolsonaro à frente de Luiz Inácio Lula da Silva no Paraná durante praticamente toda a campanha. Na votação, Bolsonaro venceu o estado com margem superior à registrada nacionalmente.

Já em 2026, as pesquisas divulgadas pelo instituto também indicam vantagem para o senador Flávio Bolsonaro no eleitorado paranaense. Os levantamentos mais recentes colocam o pré-candidato do PL na liderança no estado, mantendo um padrão observado nas últimas disputas eleitorais em que candidatos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro aparecem com desempenho superior no Paraná em comparação à média nacional.

O Brasilianista questionou o Paraná Pesquisas, confira na íntegra:

O Brasilianista: A ConJur afirma que o Partido Liberal (PL) contratou e pagou pesquisas eleitorais realizadas em São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, com base em notas fiscais emitidas pelo instituto. O Paraná Pesquisas confirma que esses levantamentos foram contratados pelo PL?

Paraná Pesquisas: O Instituto confirma que prestou ao Partido Liberal, em fevereiro de 2026, serviços de pesquisa quantitativa de opinião pública nos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro e no Distrito Federal, contratados formalmente, com emissão de notas fiscais nominais ao partido. Tratou-se de pesquisas privadas, destinadas exclusivamente a uso interno do contratante, com cláusulas contratuais de sigilo e vedação expressa de divulgação — cada relatório entregue estampa, em todas as páginas, a advertência de que a pesquisa não está registrada no TSE e de que sua divulgação é proibida. Anote-se, a propósito, que a matéria da ConJur erra até na descrição das notas fiscais que exibe: descreve-as como “pesquisa qualitativa”, quando as três notas registram textualmente “Pesquisa Quantitativa”; erra as datas de emissão (“entre os dias 3 e 23 de fevereiro”, quando as notas são de 18 e 23/02) e erra o valor total (“em torno de R$ 375 mil”, quando a soma é de R$ 405.460,00).

O Brasilianista: Caso a contratação tenha ocorrido, por que, segundo a reportagem, os registros dessas pesquisas no sistema do TSE indicam o próprio Paraná Pesquisas como contratante, e não o Partido Liberal?

Paraná Pesquisas: A premissa da pergunta — e da reportagem — é equivocada. As pesquisas contratadas pelo Partido Liberal jamais foram registradas no TSE, porque pesquisas de uso interno, não destinadas ao conhecimento público, não se sujeitam a registro (art. 33 da Lei nº 9.504/1997, que se aplica às pesquisas realizadas “para conhecimento público”, conforme reconhece a própria Justiça Eleitoral). As pesquisas registradas pelo Instituto no sistema PesqEle são trabalhos distintos, realizados por iniciativa própria e com recursos próprios, com períodos de campo e datas de registro diversos — sete dos oito registros são de abril a julho de 2026, meses após a conclusão e o pagamento dos trabalhos contratados pelo partido. Não há, portanto, registro “indicando o próprio Instituto como contratante” de pesquisa paga pelo PL: há pesquisas do partido, privadas e não registradas, e pesquisas do Instituto, autofinanciadas e registradas. A matéria fundiu indevidamente os dois conjuntos.

A cronologia, aliás, torna a tese da matéria materialmente impossível: os pagamentos do partido são de fevereiro de 2026 e remuneram campos realizados entre 07 e 22 de fevereiro, ao passo que sete das oito pesquisas registradas têm registro entre abril e julho de 2026 — meses após a extinção dos contratos. E, no único caso de coincidência de mês (São Paulo), os dois trabalhos são inconfundíveis: a pesquisa registrada (BR-07683/2026 e SP-04650/2026, registro em 05/02) teve campo de 06 a 10/02/2026; a pesquisa contratada pelo partido, campo de 19 a 22/02/2026.

O Brasilianista: O instituto entende que as informações prestadas ao TSE atendem integralmente às exigências da legislação eleitoral sobre identificação do contratante e da fonte dos recursos?

Paraná Pesquisas: Sim, integralmente. Os registros refletem com exatidão o contratante e a origem dos recursos de cada pesquisa registrada. O autofinanciamento não é “figura exótica”: é hipótese expressamente disciplinada pelo art. 2º, § 11, da Resolução TSE nº 23.600/2019 e prática corrente de institutos que produzem pesquisas para divulgação própria.

O Brasilianista: A reportagem também aponta divergência entre os valores informados nos registros do TSE e aqueles constantes nas notas fiscais apresentadas. Como o Paraná Pesquisas explica essa diferença?

Paraná Pesquisas: Não há divergência alguma, porque se comparam trabalhos diferentes. Os valores das notas fiscais remuneram as pesquisas privadas contratadas pelo Partido Liberal — serviços sob encomenda, com questionário próprio, assessoria e cessão de titularidade. Os custos informados ao TSE referem-se às pesquisas autofinanciadas registradas, produtos distintos, com estrutura de custo distinta. A “divergência” apontada pela reportagem resulta exclusivamente da confusão entre os dois universos — confusão, aliás, aritmética: três notas fiscais não poderiam corresponder a oito registros. Aliás, é tão comum que outros institutos também guardam valores diferentes para pesquisas contratadas de mesmo perfil: como exemplo, a Quaest Pesquisas, Consultoria E Projetos LTDA. para fazer o levantamento BR-06752/2026, cobrou R$ 181.155,11 do Banco Genial S.A., com 6731 entrevistas, e ao mesmo tempo cobrou R$ 215.479,58 do mesmo contratante para fazer o levantamento BR-03445/2026, com as mesmas 6731 entrevistas, e no levantamento BR-07181/2026, o valor de R$ 433.255,92, para o mesmo contratante e mesmo número de entrevistas, uma variação de mais de R$ 250 mil reais.

Os institutos AtlasIntel Tecnologia de Dados LTDA, Indexa Pesquisas LTDA, Real Time Media LTDA dentre tantos outros, fazem pesquisas autofinanciadas, inclusive com valores diversos para queles contratados, inexistindo qualquer ilegalidade.

O Brasilianista: O instituto pretende corrigir ou complementar as informações registradas no TSE, caso seja constatada alguma inconsistência?

Paraná Pesquisas: Não há o que corrigir ou complementar. Todos os registros estão corretos e refletem fielmente a realidade de cada levantamento.

O Brasilianista: O Paraná Pesquisas considera que houve algum equívoco administrativo no preenchimento dos registros ou afirma que todas as informações prestadas estão corretas?

Paraná Pesquisas: Não houve equívoco administrativo. Todas as informações prestadas à Justiça Eleitoral estão corretas. O que existe é uma matéria jornalística construída sobre premissa falsa e erros objetivos de apuração, já demonstrados documentalmente à ConJur — que, mesmo cientificada, não corrigiu nem respondeu.

O Instituto disse ainda que possui toda a documentação que comprova cada afirmação acima: contratos, notas fiscais, relatórios com as advertências de não registro e extratos públicos do sistema PesqEle/TSE, encaminhados em anexo requisitando a restrição absoluta quanto ao seu compartilhamento, no caso dos relatórios gravados com sigilo, tendo em vista o compromisso contratual.

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