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Política

Saiba quem é Jaques Wagner, candidato ao Senado pela Bahia

Ex-governador do estado e líder do PT busca novo mandato como parlamentar

Saiba quem é Jaques Wagner, candidato ao Senado pela Bahia

O senador Jaques Wagner (PT-BA) aparece entre os principais nomes na disputa por uma das duas vagas ao Senado pela Bahia nas eleições de 2026. Segundo levantamento do Paraná Pesquisas, divulgado em julho, o parlamentar registra 36,7% das intenções de voto, ocupando a segunda colocação, atrás do ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa (50,6%), e à frente do ex-ministro João Roma (23,2%). A pesquisa reforça a força do Partido dos Trabalhadores no estado, que governa a Bahia desde 2007.

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Com mais de quatro décadas de atuação política, Jaques Wagner ocupa posição de destaque dentro do PT e já exerceu cargos nos poderes Executivo e Legislativo. Ao longo da carreira, foi governador da Bahia por dois mandatos, ministro em diferentes governos petistas e atualmente cumpre mandato no Senado Federal.

Operação Compliance Zero e Banco Master

A trajetória política de Jaques Wagner também passou a ser marcada, em 2026, por investigações relacionadas à Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na nona fase da operação, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão ligados ao senador após identificar indícios de uma suposta atuação para favorecer interesses do Banco Master junto ao poder público. As investigações foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Segundo a Polícia Federal, a investigação busca esclarecer se pessoas ligadas ao senador teriam recebido vantagens indevidas em troca de suposta influência política exercida em favor da instituição financeira. Entre os elementos analisados pelos investigadores estão movimentações financeiras, contratos e a aquisição de um apartamento de alto padrão que teria sido utilizado como forma de ocultar pagamentos ilícitos, hipótese que segue sob investigação.

As apurações também apontam a existência de contatos entre Jaques Wagner e o empresário Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Para a Polícia Federal, Augusto Lima seria um dos intermediários da relação entre o senador e integrantes do grupo empresarial investigado.

O nome de Daniel Vorcaro aparece no centro da investigação por suspeitas envolvendo suposto tráfico de influência, lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e pessoas próximas a autoridades. A Operação Compliance Zero investiga uma ampla rede de relações entre empresários, lobistas e agentes políticos.

Jaques Wagner nega qualquer irregularidade. Após a operação, afirmou que jamais atuou para beneficiar o Banco Master e declarou que sua relação com Daniel Vorcaro era praticamente inexistente, sustentando que os poucos contatos ocorreram por intermédio de Augusto Lima em assuntos ligados ao programa Credcesta. A defesa do senador também afirma que todos os seus bens são declarados e que confia no esclarecimento dos fatos durante a investigação.

Até o momento, Jaques Wagner não foi denunciado nem condenado em decorrência da Operação Compliance Zero, e as investigações seguem em andamento no Supremo Tribunal Federal.

Da militância sindical ao governo da Bahia

Nascido no Rio de Janeiro, em 1951, Jaques Wagner mudou-se ainda jovem para a Bahia. Formado em Engenharia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), iniciou sua trajetória política durante o movimento sindical dos trabalhadores da indústria petroquímica, atuando na defesa dos direitos trabalhistas durante o período final da ditadura militar.

Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores na Bahia e participou da consolidação da legenda no estado ao longo da década de 1980.

Sua carreira eleitoral começou em 1990, quando foi eleito deputado federal. Ao longo dos anos seguintes, exerceu quatro mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados e ganhou espaço dentro da direção nacional do PT.

Ministérios e liderança nacional

No primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Jaques Wagner assumiu o Ministério do Trabalho e Emprego. Posteriormente, também comandou a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.

Em 2006, foi eleito governador da Bahia, encerrando um ciclo de décadas de governos liderados pelo antigo grupo político comandado por Antônio Carlos Magalhães (ACM). Reeleito em 2010, permaneceu à frente do Executivo baiano até 2014.

Durante sua administração, foram ampliados investimentos em infraestrutura, educação, saúde, abastecimento de água e programas sociais. Também houve investimentos na expansão da malha rodoviária estadual e em projetos de mobilidade urbana na Região Metropolitana de Salvador.

Após deixar o governo baiano, voltou ao governo federal como ministro da Defesa, entre 2015 e 2016, durante a gestão da presidente Dilma Rousseff. No terceiro mandato de Lula, assumiu a liderança do governo no Senado, tornando-se um dos principais articuladores políticos do Palácio do Planalto no Congresso Nacional.

Atuação no Senado

Eleito senador pela Bahia em 2018, Jaques Wagner exerce papel de destaque na articulação política do governo federal dentro do Congresso. Além de atuar em negociações de projetos considerados prioritários para o Executivo, participa de debates sobre desenvolvimento regional, infraestrutura, reforma tributária, políticas sociais e relações institucionais.

Por ser um dos parlamentares mais próximos do presidente Lula, Wagner frequentemente participa das negociações entre governo, líderes partidários e presidentes das duas Casas legislativas.

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