Publicidade
Política

Saiba quem é Deltan Dallagnol, candidato ao Senado pelo Paraná

Ex-procurador da Lava Jato tenta chegar ao Senado pelo Paraná

Saiba quem é Deltan Dallagnol, candidato ao Senado pelo Paraná

O ex-procurador da República Deltan Dallagnol (Novo) aparece entre os principais nomes na disputa por uma das duas vagas do Paraná no Senado Federal nas eleições de 2026. Segundo levantamento do Paraná Pesquisas, divulgado em julho, Dallagnol registra 25,2% das intenções de voto, ocupando a terceira colocação no primeiro cenário estimulado e em empate técnico com a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT), que aparece com 25,9%. Na liderança está o ex-senador Álvaro Dias (MDB), com 39,7%. 

Publicidade

Conhecido nacionalmente por ter coordenado a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, Dallagnol deixou o Ministério Público Federal para ingressar na política. Sua trajetória reúne episódios de grande projeção nacional, incluindo a atuação nas investigações de corrupção, a eleição para a Câmara dos Deputados, a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, agora, a tentativa de conquistar uma cadeira no Senado.

Da carreira no Ministério Público à Lava Jato

Nascido em Pato Branco (PR), em 1980, Deltan Martinazzo Dallagnol formou-se em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e ingressou no Ministério Público Federal em 2003.

Nos primeiros anos da carreira atuou em diferentes áreas do MPF até integrar a equipe responsável pelas investigações da Operação Lava Jato, iniciada em 2014.

Como coordenador da força-tarefa em Curitiba, tornou-se um dos rostos mais conhecidos da operação. Participou de investigações envolvendo políticos, empresários e executivos de grandes empresas, especialmente da Petrobras, que resultaram em centenas de denúncias, condenações e acordos de colaboração premiada.

A projeção nacional fez de Dallagnol uma das figuras mais conhecidas do sistema de Justiça brasileiro durante a última década.

Entrada na política

Em 2021, Deltan pediu exoneração do Ministério Público Federal alegando motivos pessoais e o desejo de iniciar uma nova etapa na vida pública.

No ano seguinte, filiou-se ao partido Novo e disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Paraná.

Nas eleições de 2022, foi eleito deputado federal com mais de 340 mil votos, tornando-se um dos parlamentares mais votados do estado.

Durante o curto período em que exerceu o mandato, manteve atuação voltada para pautas relacionadas ao combate à corrupção, responsabilidade fiscal, redução do tamanho do Estado e fortalecimento das instituições de controle.

Cassação do mandato

Em maio de 2023, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu, por unanimidade, cassar seu mandato. Os ministros entenderam que o ex-procurador pediu exoneração do Ministério Público quando ainda existiam procedimentos administrativos que poderiam resultar na aplicação da Lei da Ficha Limpa, tornando sua candidatura inelegível naquele momento.

A decisão confirmou entendimento do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná e determinou a perda definitiva do mandato.

Deltan criticou o julgamento e afirmou que a decisão representava uma interpretação inédita da legislação eleitoral. Seus apoiadores classificaram a cassação como uma medida política, enquanto adversários sustentaram que o TSE apenas aplicou as regras previstas na legislação.

Controvérsias durante a Lava Jato

Em 2016, durante a apresentação da denúncia contra o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o procurador utilizou um famoso gráfico em formato de PowerPoint para explicar o suposto papel central de Lula em um esquema de corrupção. A apresentação foi amplamente divulgada e recebeu críticas de juristas, advogados e integrantes da comunidade acadêmica.

Outro episódio ocorreu após a divulgação das mensagens da chamada Vaza Jato, publicadas em 2019 pelo site The Intercept Brasil. As conversas indicavam troca de mensagens entre integrantes da força-tarefa e o então juiz Sergio Moro durante o andamento das investigações.

Os diálogos levantaram questionamentos sobre a atuação da Lava Jato e motivaram debates jurídicos sobre a imparcialidade dos processos. Deltan afirmou que as mensagens foram obtidas por meio de crime cibernético e contestou a interpretação dada ao conteúdo divulgado.

Condenação pelo TCU

Em 2022, o Tribunal de Contas da União (TCU) analisou gastos relacionados às chamadas diárias e passagens pagas a integrantes da força-tarefa da Lava Jato. Posteriormente, parte das decisões foi revista, reduzindo o alcance das determinações inicialmente impostas ao ex-procurador.

Dallagnol sempre negou ter cometido irregularidades na gestão dos recursos públicos e afirmou que todas as despesas seguiram critérios administrativos vigentes à época.

Siga O Brasilianista nas redes sociais