A jornalista e ex-deputada federalManuela D’Ávila (PSOL-RS) aparece entre os principais nomes na disputa por uma das duas vagas ao Senado Federal pelo Rio Grande do Sul nas eleições de 2026. Segundo pesquisa do Real Time Big Data, divulgada em junho, Manuela registra 19% das intenções de voto, aparecendo tecnicamente empatada com o deputado federal Marcel Van Hattem (Novo), que lidera com 20%, e à frente do deputado federal Ubiratan Sanderson (PL), que soma 17%.
Após um período afastada de cargos eletivos, Manuela voltou ao cenário político nacional e tenta retornar ao Congresso Nacional. Sua trajetória é marcada pela atuação na esquerda brasileira, pela defesa de pautas ligadas aos direitos humanos, igualdade de gênero, educação e democracia, além da participação em disputas eleitorais de grande repercussão.
Início da carreira política
Nascida em Porto Alegre (RS), em 1981, Manuela Pinto Vieira D’Ávila é formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).
Sua atuação política começou ainda no movimento estudantil. Em 2001, foi eleita presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), tornando-se uma das principais lideranças do movimento universitário brasileiro.
A projeção obtida na entidade abriu caminho para sua entrada na política institucional. Filiada ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB) por quase duas décadas, foi eleita deputada estadual pelo Rio Grande do Sul em 2004, aos 23 anos.
Câmara dos Deputados e Prefeitura de Porto Alegre
Em 2006, Manuela foi eleita deputada federal, tornando-se uma das parlamentares mais jovens da Câmara dos Deputados.
Ao longo de dois mandatos consecutivos, participou de comissões voltadas para educação, direitos humanos, comunicação e juventude. Também apresentou projetos relacionados à igualdade de gênero, proteção da infância e inclusão social.
Em 2012, disputou a Prefeitura de Porto Alegre, chegando ao segundo turno, mas foi derrotada por José Fortunati.
Quatro anos depois voltou a concorrer ao comando da capital gaúcha, novamente sem sucesso.
Candidatura à vice-presidência
Em 2018, Manuela ganhou projeção nacional ao integrar a chapa presidencial encabeçada por Fernando Haddad (PT), como candidata à Vice-Presidência da República.
Inicialmente, ela havia sido lançada como pré-candidata à Presidência pelo PCdoB, mas retirou a candidatura para apoiar o PT após a impugnação da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A chapa terminou a eleição em segundo lugar, sendo derrotada por Jair Bolsonaro no segundo turno.
A campanha consolidou Manuela como uma das principais lideranças da esquerda brasileira.
Mudança para o PSOL
Em 2025, após quase vinte anos no PCdoB, Manuela anunciou sua filiação ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).
Segundo a ex-deputada, a mudança ocorreu em busca de maior afinidade com os debates internos da legenda e da construção de um novo projeto político para o país.
No PSOL, passou a integrar as articulações nacionais da sigla e voltou a ser cotada para disputar cargos eletivos.
Ataques virtuais e fake news
Ao longo da carreira, Manuela D’Ávila tornou-se alvo frequente de campanhas de desinformação nas redes sociais.
Um dos episódios mais conhecidos ocorreu durante as eleições de 2018, quando diversas notícias falsas atribuídas à candidata circularam em aplicativos de mensagens e redes sociais.
Ela também teve seu nome citado durante as investigações do chamado “inquérito das fake news”, conduzido pelo Supremo Tribunal Federal, como uma das vítimas da disseminação de conteúdos falsos e ataques coordenados contra autoridades e lideranças políticas.

