O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) só tem até quarta-feira da próxima semana, 5 de agosto, para oficializar o candidato a vice-presidente.
Até o momento, Flávio não informou quem será o escolhido. Nos últimos meses, o pré-candidato enfrenta alguns problemas em relação à sua campanha: a crise de relacionamento com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro; as conversas com Daniel Vorcaro e o pedido de financiamento para a produção do filme Dark Horse; as notas fiscais emitidas para uma empresa que recebeu repasses do Banco Master; e a foto com o sicário, apontado como faz-tudo do ex-banqueiro pela Polícia Federal (PF).
A perspectiva de alguns deputados é de que, até o início das eleições, surjam novas informações que possam atrapalhar a campanha.
A equipe de pré-campanha, no entanto, não sinaliza quando haverá esclarecimentos sobre os fundos privados e o dinheiro utilizado. O caso segue em análise pela PF. A lista de nomes femininos cogitados é extensa e ainda não há uma definição.
O Brasilianista também procurou o senador Flávio Bolsonaro, bem como sua equipe de campanha, para saber se já existe uma definição quanto ao vice, já que o pré-candidato pretende escolher uma mulher. No entanto, até a publicação desta matéria, não houve resposta.
Flávio busca resolver problemas com mulheres e evangélicos
Enquanto isso não se resolve, o pré-candidato à Presidência da República e Valdemar Costa Neto precisam solucionar o impasse da campanha.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mudanças nas chapas eleitorais ainda podem ser feitas até o dia 15 de agosto. No entanto, conforme prevê a Lei das Eleições (Lei nº 9.504), no caso das candidaturas majoritárias e proporcionais, a substituição pode ocorrer até 20 dias antes das eleições, desde que seja apresentado o respectivo pedido.
O Partido Liberal (PL) pretendia indicar um nome feminino para compor a chapa de Flávio. Cogitou-se, inclusive, a madrasta, Michelle Bolsonaro.
Definitivamente, esse nome está descartado, já que pessoas próximas à ex-primeira-dama acompanharam o crescimento do clima de desânimo e do conflito familiar. Flávio teve que pedir desculpas; Michelle, não.
Ela também não compareceu ao evento de convenção do enteado, embora tenha sinalizado que pretende apoiar sua candidatura. As amigas, a pré-candidata ao Governo do Distrito Federal, Celina Leão, e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), trabalham para promover esse encontro presencial.
A ruptura atrapalha o desenvolvimento da campanha junto ao eleitorado feminino e evangélico, segmento que depende da influência de Michelle. Ainda não há confirmação de que a ex-presidente do PL Mulher disputará, por ora, o Senado em 2026.
Priscila Costa
A vereadora Priscila Costa (PL-CE), apontada como pivô da crise entre Flávio e Michelle, chegou a ser cogitada nas últimas semanas como possível vice-presidente na chapa.
A vice-presidente do PL Mulher, após a crise entre o enteado e a madrasta, fez acenos a Michelle e não compareceu ao evento do PL, em Fortaleza, no dia 10 de julho, quando Flávio anunciou que o partido trabalhava no lançamento de pré-candidaturas ao Senado.
A vereadora disse ter ficado feliz com a lembrança de seu nome, mas afirmou que ainda não havia diálogo sobre essa possibilidade. Horas depois, Valdemar desmentiu os rumores e classificou a hipótese como “bobagem”.
Tereza Cristina (Progressistas-MS)
A ex-ministra da Agricultura do governo Bolsonaro disse “não” a Flávio Bolsonaro e foi considerada por Valdemar Costa Neto como a candidata ideal para compor a chapa, mas a articulação não prosperou.
Os planos de Tereza, de 71 anos, indicam que ela prefere focar no Senado, já que tem mandato parlamentar até 2031.
Logo que o nome de Tereza passou a ser sondado, Flávio dizia que a senadora lembrava sua avó e, por isso, poderia chamá-la de “vovozinha”.
“A melhor ministra da Agricultura que esse país já teve, minha amiga Tereza Cristina. Essa gigante que eu chamo de vovozinha, porque ela, de fato, parece fisicamente a minha vovozinha”, disse durante a 89ª Expogrande.
O apelido foi visto por parte dos analistas como um sinal de desrespeito e misoginia. Vale lembrar que a senadora integra o mesmo partido do senador e líder Ciro Nogueira (PP-PI), que deixou de ser um entusiasta de Flávio após os escândalos envolvendo o Banco Master e o nome do senador. O pré-candidato buscava um eventual apoio à sua candidatura, mas a federação União-PP já sinalizou que deve optar pela neutralidade.
Clarissa Tércio (PP-PE) e Daniella Marques (Republicanos)
De acordo com O Globo, a deputada federal Clarissa Tércio (PP-PE) voltou a ser sondada para ser vice na chapa. A discussão em torno de seu nome ganhou força dentro das conversas sobre uma possível composição.
As pautas defendidas por Daniella Marques são semelhantes às de Michelle Bolsonaro: defesa de pautas conservadoras e apoio do eleitorado evangélico.
Há outra sinalização de composição de chapa: Daniella Marques, nome que seria do interesse de Flávio. Ela é ex-presidente da Caixa Econômica Federal, braço direito de Paulo Guedes e filiada ao Republicanos. No entanto, o partido ainda não definiu se apoiará ou não a candidatura de Flávio. A tendência, como mostrou O Brasilianista, é manter a neutralidade.
Damares Alves (Republicanos-DF)
A ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, que também possui grande influência junto ao eleitorado evangélico, negou ter sido procurada para ser vice-presidente.
A senadora segue defendendo pautas de interesse de Michelle e entende que, caso a ex-primeira-dama dispute o Senado, haverá um reforço na defesa das mulheres, da família e das pessoas com deficiência (PcD).
Damares continua apoiando a campanha de Flávio Bolsonaro e trabalha pela aproximação entre Michelle e o filho do ex-presidente.
Bia Kicis (PL-DF)
A deputada federal Bia Kicis, que integra a base bolsonarista, chegou a ser cogitada por Flávio durante uma gravação em estúdio.
“Não estou falando que ela vai ser a vice, não, tá, gente? Mas é uma pessoa que topa alguns desafios, que está disposta a dar o seu melhor pelo Brasil”, disse Flávio durante uma gravação no estúdio da sede do Partido Liberal.
No início do ano, no entanto, Kicis sinalizou que disputará o Senado Federal. A ideia inicial era que ela formasse chapa ao lado de Michelle Bolsonaro. Isso, porém, não foi confirmado. A deputada trabalha na organização do evento de lançamento de sua pré-candidatura ao Senado, previsto para agosto.
Simone Marquetto (PP-SP) e Julia Zanatta (PL-SC)
Ao Estadão, a deputada federal Simone Marquetto sinalizou que se encontrou com Flávio durante o evento de pré-lançamento da candidatura de Guilherme Derrite ao Senado.
No encontro, realizado em maio, Marquetto disse ao senador que é uma deputada de centro e que busca dialogar com ambos os lados do espectro político.
O vice-presidente estadual do PP em São Paulo, deputado federal Maurício Neves, participou dessa articulação.
Outro nome que passou a ser sondado foi o da deputada federal Julia Zanatta (PL-SC). Em uma publicação no X, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro defendeu o nome da parlamentar.
Ainda não há sinalização de que Julia Zanatta venha a ocupar, eventualmente, essa função. Da parte dela, a indicação foi bem recebida, mas a parlamentar já anunciou que disputará a reeleição para deputada federal por Santa Catarina.

