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Política

Como a campanha de Michelle ao Senado muda o cálculo eleitoral no DF

Ex-primeira-dama tem ativos importantes para o PL, que enfrentará a disputa pela Presidência sem apoio de partidos de centro

Como a campanha de Michelle ao Senado muda o cálculo eleitoral no DF

Na última semana de convenção partidária, o Partido Liberal (PL) confirmou que a esposa de Jair Messias Bolsonaro vai disputar as eleições ao Senado. O anúncio foi feito por meio de uma nota no evento de convenção realizado no dia 2 de agosto, enquanto a pré-candidata estava internada.

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O último levantamento, de julho, do Paraná Pesquisas, incluindo a esposa do ex-presidente, já a apontava como a segunda candidata com maior intenção de voto para o Senado.

Essa é a primeira vez de Michelle em uma disputa política. No entanto, ao longo dos últimos sete anos, a ex-primeira-dama mostrou os temas que a levariam a atuar: a defesa da família, das pessoas com deficiência e, como seu principal destaque, das mulheres.

A ascensão de Michelle como figura política

Michelle Bolsonaro conseguiu se firmar como liderança dentro do PL Mulher, mas sua saída do cargo após o embate com o enteado, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), expôs as fissuras na família e no partido. A ruptura, longe de ser apenas pessoal, revelou disputas de poder que agora se refletem diretamente na montagem do palanque bolsonarista no Distrito Federal.

O senador fez um pedido de desculpas público para que Michelle se aproximasse da campanha do seu enteado. Flávio é uma das figuras da família com o maior número de seguidores no Instagram, que já reúne 11 milhões de seguidores. Michelle, de acordo com uma pesquisa da Ativaweb Datalab, no quesito engajamento, ultrapassa Flávio (1,49%) e Eduardo (1%), com 4,25%.

Ainda não há definição exata de como ficará o papel de Michelle na campanha de Flávio. É notável, no entanto, que a ex-primeira-dama é um grande ativo, a avaliar pela repercussão dos vídeos de pronunciamento sobre o comportamento do enteado.

O anúncio de vice sem Michelle

Na convenção para o anúncio do vice realizada na última quarta-feira, 5, Flávio Bolsonaro apareceu sem uma candidata mulher para compor sua chapa, mas fez questão de reforçar o apoio de Michelle.

Ao lado da deputada Bia Kicis (PL-DF) e da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), figura responsável por mediar o conflito familiar, Flávio buscou sinalizar unidade, mesmo sem o respaldo formal do PP.

A presença de Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, foi interpretada como tentativa de compensar a neutralidade.

Michelle não compareceu ao anúncio do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice. Os mais próximos, Valdemar Costa Neto, Damares e Flávio, não comentaram a ausência. Michelle foi às redes, após o anúncio, e desejou que a “chapa Flávio-Alfredo possa ser vitoriosa”.

Candidatura de Michelle e o pedido de Bolsonaro

Neste ano, as pré-candidatas no DF disputam duas cadeiras: Michelle e Bia Kicis, pelo PL; Erika Kokay (PT) e Leila do Vôlei (PDT-DF) são os nomes que lideram a disputa, segundo o último levantamento do Paraná Pesquisas, que já passou a incluir o nome de Michelle Bolsonaro.

No primeiro cenário, a senadora Leila lidera com 39,2%, e Michelle aparece com 36% das intenções de voto. Kokay, em terceiro lugar, disputa com 28,4%, e Bia Kicis tem 18,3%. A pesquisa considera margem de erro de 2,6 pontos percentuais. Agora, com o aval de Bolsonaro, Michelle entra na disputa.

A decisão de disputar se consolidou após a publicação desta pesquisa, em meio aos esforços da governadora do Distrito Federal, Celina Leão, e da senadora Damares para conciliar o encontro entre os dois. Flávio e Michelle, após os desgastes, não tiveram uma aparição pública.

Convenção de Flávio e Alfredo

Durante a convenção de anúncio do vice, Flávio Bolsonaro anunciou o nome do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL).

Convenção reuniu figuras políticas do Republicanos, PL e PP para anunciar Alfredo Gaspar. (Foto: Gabriel Lino/O Brasilianista)

O seu nome aparece como uma figura central que ajudará a desgastar politicamente seus opositores, especialmente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem o seu filho, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, citado nas investigações da Operação Sem Desconto.

Alfredo foi relator da CPMI do INSS, que investiga as fraudes e os descontos ilegais em contas de aposentados e pensionistas. O seu relatório, na conclusão dos trabalhos, foi rejeitado.

Poucas horas antes do anúncio, a informação que se tinha era de que Gaspar disputaria o Senado.

Sem a escolha de uma vice mulher, Flávio reforçou durante a coletiva que Damares Alves, Bia Kicis, Tereza Cristina e Cristiane Britto devem integrar a frente em outra linha de atuação para ajudar a criar políticas públicas para mulheres.

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