A nova frente envolvendo Daniel Bueno Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, passou a incluir o setor de energia solar após reportagem de O Tempo apontar uma sociedade com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) na estruturação de um conglomerado de usinas fotovoltaicas de geração distribuída (GD) em Minas Gerais.
Segundo a publicação, o grupo expandiu sua atuação entre 2024 e 2025 por meio de dezenas de empreendimentos ligados à geração distribuída, em um contexto de suspeitas sobre facilidades obtidas junto à Cemig SIM, subsidiária da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).
A nova informação acrescenta uma frente patrimonial às investigações que até então se concentravam na relação política e financeira entre Vorcaro e o senador.
O conglomerado seria formado por dezenas de sociedades voltadas à exploração de usinas solares e estruturado por uma rede empresarial ligada a pessoas próximas ao banqueiro.
Entre elas está a Green Investimentos S.A., empresa na qual Ciro Nogueira adquiriu participação societária e que controla ativos do setor fotovoltaico avaliados, segundo estimativas publicadas por O Tempo, em centenas de milhões de reais.
Como mostrou O Brasilianista a Polícia Federal já descrevia uma relação pessoal e financeira entre Vorcaro e o senador, citando repasses mensais, vantagens patrimoniais e a participação societária da Green Investimentos como elementos incorporados ao inquérito encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O Brasilianista revelou que os investigadores também passaram a analisar mensagens, documentos e contatos relacionados a projetos legislativos sobre transição energética e mercado de créditos de carbono.
Sociedade na Green e expansão das usinas
Ciro Nogueira adquiriu 30% da Green Investimentos por meio da CNLF Empreendimentos. A operação passou a ser questionada em razão da diferença entre o valor pago e a estimativa de mercado dos ativos controlados pela empresa.
A Green controla 22 usinas fotovoltaicas, enquanto outras empresas ligadas ao grupo Vorcaro administrariam cerca de 60 sociedades voltadas à geração distribuída. Somados, os empreendimentos atribuídos ao empresário e à família poderiam superar R$ 1 bilhão em patrimônio.
Como explicou O Brasilianista a Polícia Federal reuniu fotografias que registram encontros entre Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira. As imagens passaram a integrar o conjunto de provas analisado na Operação Compliance Zero e fazem parte do material utilizado para reconstruir a relação entre o empresário e o parlamentar.
O Brasilianista mostrou que a PF investiga a participação dos dois na elaboração da chamada “Emenda Master”, proposta que buscava ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Segundo os investigadores, a medida beneficiaria diretamente o modelo de negócios do Banco Master. O relatório afirma ainda que o texto foi elaborado por integrantes do banco, encaminhado ao gabinete de Ciro Nogueira e protocolado no Senado preservando a justificativa originalmente produzida pela instituição financeira.
Outra frente detalhada pelo O Brasilianista envolve propostas relacionadas ao Programa de Aceleração da Transição Energética (Paten) e ao Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE).
A Polícia Federal apura mensagens, documentos e contatos entre Daniel Vorcaro e integrantes do gabinete do senador para discutir essas iniciativas legislativas, consideradas estratégicas para investimentos ligados ao grupo empresarial do banqueiro.
Posicionamentos dos citados
Em nota enviada a O Tempo, o ex-secretário da Casa Civil de Minas Gerais, Marcelo Aro, negou qualquer interferência na Cemig ou participação em indicações políticas para a Cemig SIM. Segundo ele, a companhia adota critérios técnicos para a escolha de seus diretores e não sofreu influência partidária durante os governos de Romeu Zema e Mateus Simões.
Aro também afirmou que nunca esteve na empresa para tratar de demandas administrativas, declarou não ter conhecimento sobre relações da Cemig com terceiros e disse que, embora mantenha amizade com Rubens Soalheiro, não foi responsável por sua indicação ao cargo. Na nota, acrescentou que considera as acusações “ilações totalmente descabidas” e relacionou a divulgação da reportagem ao período pré-eleitoral.
O Brasilianista procurou a defesa de Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira, mas não obteve resposta até a publicação. O espaço segue aberto para manifestação.

