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Economia

Por que o Brasil continua preso no risco especulativo, 10 anos após rebaixamento?

Investidores, agências de risco e analistas veem hoje o Brasil em situação menos confortável do que em 2015

Por que o Brasil continua preso no risco especulativo, 10 anos após rebaixamento?

Os mercados internacionais seguem com visão cautelosa e de aversão a risco em relação ao Brasil, apesar dos sinais de recuperação em alguns setores.

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Hoje, investidores, agências de risco e analistas veem o Brasil em situação menos confortável do que em 2015 — quando o país perdeu o grau de investimento pelas três maiores agências de classificação de risco.

A falta de investimento estrangeiro deixa uma mensagem clara: sem reformas estruturais profundas, o Brasil dificilmente deixará de ser considerado uma economia de risco especulativo.

2015 vs 2025

Em setembro de 2015, a S&P rebaixou a nota soberana do Brasil de BBB- para BB+, tirando o país do grau de investimento após anos sob críticas sobre a política fiscal e deterioração econômica. O mesmo aconteceu com a Fitch Ratings e a Austin Rating.

Naquela época, havia esperança de reversão rápida principalmente pelas projeções políticas otimistas de ajuste. Por outro lado, hoje, a percepção do mercado permanece fragilizada quanto à credibilidade fiscal, à capacidade de gerar superávits primários e à sustentabilidade da dívida pública.

O cenário de que o Brasil está “preso” em um patamar especulativo não é incomum a alguns dos principais indicadores globais. Isso mostra poucos sinais de melhora suficientemente fortes para garantir um upgrade de nota.

Em junho deste ano, a Fitch Ratings confirmou a nota do Brasil em BB, com perspectiva estável. Essa nota está duas camadas abaixo do grau de investimento — condição considerada ideal para muitos investidores institucionais.

Já a Moody’s mantém o Brasil em Ba1, também abaixo do investimento, enquanto a S&P também posiciona o país na categoria “BB”, com estabilidade relativa, mas longe do retorno ao grupo de “primeira linha”.

Quais são os fatores de risco para os investimentos e a população?

Manter o Brasil na zona de risco especulativo pode causar diversos problemas na economia e, consequentemente, no bolso dos brasileiros.

Analistas da Fitch destacaram em recentes comentários vários vetores que mantêm o país nesta situação, como a saúde fiscal debilitada — como a falta de reformas no sistema tributário e previdência. Além disso, contribui para a nota de investimento no Brasil a dívida alta em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

Volatilidade cambial, risco político interno e exposição a choques externos bem como expectativas fracas de mudanças também foram mencionadas.

Para os brasileiros, o que está em jogo:

  • Permanecer fora do grau de investimento implica custos mais altos de financiamento para o governo e para empresas brasileiras, menor apetite de investimento externo;
  • Impacto na confiança para investidores institucionais, fundos estrangeiros e bancos multilaterais;
  • Pressão para ajuste fiscal, que pode gerar confronto político, cortes em programas sociais ou adiamentos de obras públicas, afetando o crescimento e distribuição de renda.

Para especialistas ouvidos pelo O Brasilianista, seriam necessárias diversas ações para reverter o quadro, confira as principais:

  1. Políticas fiscais coerentes e críveis, com superávits primários consistentes, não apenas em papel, mas com execução orçamentária real;
  2. Reforma tributária que aumente a eficiência, a progressividade e reduza complexidades que oneram produção e investimento;
  3. Controle rigoroso das despesas obrigatórias, principalmente previdência, saúde, folha, com reformas que modifiquem o arcabouço institucional;
  4. Estabilização monetária, para reduzir inflação e juros, que corroem o crescimento e deterioram dívida;
  5. Ambiente político estável, com previsibilidade institucional, redução de ruídos legislativos prejudiciais e compromisso com agendas de longo prazo.

Parece provável que o Brasil permaneça ainda algum tempo no grupo especulativo, a menos que haja ação firme imediata.