Há diversas evidências de que a Rússia possa estar, de fato, em guerra contra a Europa. Porém, o conflito é diferente daquele com ataques em massa e bombardeiros, pois esse realiza ataques cibernéticos, sabotagens estratégicas, campanhas de desinformação e intimidações militares constantes.
Além disso, diversos países da Europa aumentam silenciosamente seus sistemas de defesa. Em entrevista ao podcast House of Lords, apresentado pelo presidente do Parlamento britânico, a ex-chefe do MI5, Eliza Manningham-Buller, afirmou que o Reino Unido pode já estar em guerra com a Rússia e que a relação entre os países mudou “desde a invasão da Ucrânia”. As informações são da CNN.
Manningham-Buller afirmou ainda ter conhecimento de “várias coisas” planejadas pelos russos na Grã-Bretanha durante os últimos três anos. Entre as acusações, ela destaca possíveis sabotagens, recolhimento de informações e ataques a pessoas.
Hostilidades crescentes da Rússia
A impressão de guerra silenciosa não é exclusiva do ciberespaço. Invasões de espaço aéreo europeu por drones e caças russos também reforçam a noção de um conflito maior do que se imagina.
No início de setembro, por exemplo, aeronaves polonesas e da Otan foram acionadas para abater os drones que sobrevoaram o país — os dispositivos voadores tinham objetivo de atacar a Ucrânia. Foi a primeira vez que um país membro da Otan disparou contra ativos russos, com o apoio operacional aliado.
A Polônia invocou o Artigo 4 da Otan, que determina uma fase de consultas urgentes entre os países membros para uma ação conjunta em resposta a alguma invasão a um dos integrantes. As informações são do g1.
Além disso, vários países da União Europeia registraram tentativas de sabotagem em suas infraestruturas críticas, como cabos submarinos de internet, oleodutos e redes elétricas. A Alemanha registrou, no final do ano passado, um corte em um cabo de telecomunicações de 1.170 km, localizado entre a Finlândia e a Alemanha. A suposta sabotagem não identificou os culpados, mas ocorreu em meio ao aumento de tensões com a Rússia, de acordo com a BBC.
Esses incidentes, atribuídos direta ou indiretamente a Moscou, têm como objetivo gerar insegurança e elevar os custos de defesa dos europeus.
Preparativos de guerra
O clima de alerta já contamina as grandes potências. No início do ano, diversos países europeus recomendaram aos residentes a compra de kits sobrevivência em caso de uma possível guerra.
Já a Alemanha anunciou em março programas de rearmamento inéditos desde a Guerra Fria, com a expectativa de aumentar os gastos com defesa em um possível governo de Friedrich Merz. Segundo o Uol, o principal motivo desse aumento de segurança alemã seria o afastamento da relação entre os Estados Unidos e a Europa.
O dilema para os governos europeus é decidir se devem reconhecer formalmente essa guerra ou continuar tratando-a como uma série de incidentes isolados.
Vale lembrar que reconhecer publicamente os ataques russos como uma guerra implicaria em mudanças profundas de postura diplomática, investimentos massivos em defesa e, possivelmente, o acionamento de mecanismos da OTAN que poderiam escalar a situação para um confronto direto.

