O conselheiro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) Victor Fernandes proibiu liminarmente a Liga de Futebol Brasileiro (Libra) e a Liga Forte União (LFU) de admitirem novos clubes até o fim do processo sobre as uniões dos clubes no órgão antitruste. Na decisão proferida nesta terça-feira (4), Fernandes definiu multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento.
A decisão de Fernandes já está valendo e será avaliada pelo Tribunal do Cade. A investigação contra Libra e LFU começou em outubro de 2023, após relatório da Superintendência-Geral do órgão antitruste identificar indícios gun jumping, ou seja, a criação de uma joint venture (associação econômica) sem consulta formal ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica. O documento apresenta como indício da união financeira o compartilhamento de riscos e resultados do negócio pelos clubes de futebol.
Duas ligas, um problema
Fundada em 2022, a Libra é integrada atualmente por Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Palmeiras, Ponte Preta, Red Bull Bragantino, São Paulo, Santos, Bahia, Grêmio, Vitória, Paysandu, Remo, ABC, Guarani e Sampaio Corrêa. Mas a liga contava com a participação de Cruzeiro, Vasco, Botafogo e Atlético Mineiro.
O quarteto deixou a Libra e criou a LFU — também em 2022 — após discordâncias internas na distribuição dos valores pagos com base em número de torcedores e audiência na TV e na internet. O último a deixar a Libra rumo à liga rival foi o Atlético Mineiro, após o Flamengo bloquear judicialmente repasses de R$ 77 milhões à Libra.
O valor congelado em janeiro de 2025 corresponde a 30% dos direitos de transmissão do campeonato Brasileiro deste ano. O desbloqueio de R$ 75,4 milhões foi concedido pela desembargadora Lúcia Helena do Passo em 18 de outubro.
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