O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, entrou de vez no jogo da articulação sobre o chamado PL Antifacção, que o relator, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), tenta rebatizar de Marco do Combate ao Crime Organizado. Caiado afirmou que seu partido, o União Brasil, vai apresentar um destaque para equiparar facções criminosas a grupos terroristas.
A Câmara vive nesta terça-feira uma maratona: líderes se reúnem há mais de duas horas discutindo apenas esse ponto, numa sessão marcada pela pressão dos governadores e pela disputa de protagonismo.
Caiado, que há anos constrói sua imagem nacional com a bandeira da segurança pública, elevou o tom. Disse que “é importante que a gente tenha essa equiparação”, afirmou que a Amazônia “é tomada pelo narcotráfico” e defendeu que, com a classificação como terrorismo, o país “terá todo o aparato de forças atuando para combater o narcotráfico no Brasil”.
Esse ponto já havia sido retirado por Derrite. O relator recuou após o governo Lula e especialistas alertarem para os riscos de violação de normas internacionais, o que poderia gerar sanções, afastar investimentos e abrir uma crise diplomática de alto custo para o país.
Mas o tema segue incendiando a Casa. O texto deveria ter sido votado na semana passada, mas a combinação de pressão de governadores, ruídos entre direita e esquerda e divergências jurídicas transformou o debate em um cabo de guerra.
Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados, garantiu que a votação acontece nesta terça-feira. Já o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, circula por Brasília tentando também carimbar seu pedaço de protagonismo, afinal, segurança pública virou ativo eleitoral de luxo.

