A nova pesquisa Real Time Big Data, realizada entre os dias 29 e 30 de maio com 2.000 entrevistados, trouxe um dado que amplia o debate sobre a sucessão presidencial de 2026: enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente de Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno, os governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) surgem em condições mais competitivas diante do petista.
No cenário entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente registra 45% das intenções de voto contra 40% do senador. Já nos confrontos contra Caiado e Zema, o petista aparece empatado dentro da margem de erro. Lula e Caiado somam 43% cada, enquanto Lula registra 43% contra 40% de Zema.
Os números surgem em meio a um período de desgaste para Flávio Bolsonaro após a repercussão do caso Dark Horse, projeto cinematográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro que colocou o senador no centro de questionamentos relacionados ao financiamento da produção.
Governadores avançam na disputa pelo eleitorado conservador
Além dos cenários de segundo turno, a pesquisa mostra que Caiado e Zema continuam aparecendo entre os principais nomes da centro-direita na corrida presidencial.
No primeiro turno estimulado, ambos aparecem atrás de Lula e Flávio Bolsonaro, mas mantêm desempenho suficiente para permanecerem como alternativas dentro do campo conservador.
O levantamento também mostra que parte relevante dos eleitores de Flávio considera migrar para os dois governadores caso o senador não participe da disputa.
Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 23% apontam Ronaldo Caiado como segunda opção de voto, enquanto 20% mencionam Romeu Zema.
Os resultados colocam Caiado e Zema em posição mais confortável na comparação com outros pré-candidatos da direita. Enquanto Lula supera Flávio, Renan Santos e Aécio Neves nos cenários de segundo turno, o presidente encontra maior resistência justamente diante dos governadores de Goiás e Minas Gerais.
O movimento ocorre paralelamente às articulações para evitar divisões no campo conservador. Caiado descartou a formação de uma chapa conjunta com Zema neste momento, mas defendeu a construção de uma estratégia de unidade para uma eventual segunda etapa da eleição.
Segundo o ex-governador goiano, a prioridade é evitar conflitos internos que possam enfraquecer a centro-direita antes da definição do segundo turno.
Caso Dark Horse ampliou desgaste de Flávio
Conforme mostrou O Brasilianista, a pesquisa BTG/Nexus foi uma das primeiras realizadas depois da exposição do episódio envolvendo Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
Na ocasião, o senador recuou dois pontos em relação ao levantamento anterior, enquanto Lula avançou um ponto.
Aliados do parlamentar passaram a monitorar os efeitos eleitorais do caso, embora integrantes do PL avaliassem que a crise não havia comprometido totalmente sua competitividade eleitoral.
O impacto das denúncias também passou a ser acompanhado de perto por partidos, analistas políticos e pelo mercado financeiro. De acordo com O Brasilianista, a divulgação de novas pesquisas era aguardada justamente para medir se o episódio conseguiria interromper o crescimento eleitoral do senador ou se seu eleitorado permaneceria consolidado apesar das revelações.
Naquele momento, a principal dúvida era se o desgaste abriria espaço para nomes alternativos dentro da oposição, especialmente Romeu Zema, frequentemente citado como uma opção mais moderada para parte do eleitorado de centro-direita.
Debate sobre o futuro do bolsonarismo ganhou força
A repercussão do caso também alimentou discussões sobre a capacidade do bolsonarismo de transferir força eleitoral para além da família Bolsonaro.
Em entrevista para O Brasilianista, o cientista político Luiz Renato Ribeiro Ferreira avaliou que o episódio atingiu mais diretamente a imagem da família Bolsonaro do que o conjunto da direita brasileira.
“Em um passado recente, o bolsonarismo foi tratado como uma espécie de categoria política ou categoria de pensamento, que superava o sobrenome da família e se apresentava quase como um conceito. Entretanto, os últimos movimentos e decisões do ex-presidente Jair Bolsonaro enfraqueceram o ‘conceito’ e fortaleceram a ‘genética’, ou seja, aquilo que se apresentava como uma ideia demonstrou ser mais um projeto de poder familiar”, afirmou.
Na mesma entrevista, Ferreira observou que o campo conservador pode passar por uma renovação gradual de lideranças.
“Porém, em um futuro breve, teremos novas figuras importantes da direita, que eventualmente poderão romper com a família para seguir sua vida própria. Fiquem de olho em Michelle Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Otoni de Paula”, acrescentou.
A avaliação dialoga diretamente com os números da nova pesquisa, que mostram Caiado e Zema em situação mais competitiva do que Flávio Bolsonaro nos cenários simulados de segundo turno.
Investigações e novos desdobramentos seguem no radar
O Brasilianista destacou que a primeira pesquisa Datafolha realizada integralmente após a divulgação do caso Dark Horse mostrou Lula ampliando sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro. O levantamento apontou crescimento da distância entre os dois tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Parte significativa dos entrevistados avaliava negativamente a participação do senador na busca de recursos para financiar a produção cinematográfica.
Segundo O Brasilianista, investigações passaram a analisar irregularidades envolvendo uma organização ligada à produtora responsável pelo filme.
Contradições nas versões apresentadas por integrantes do projeto sobre a origem dos recursos destinados à produção.
Até o momento, não há acusação formal de crime contra Flávio Bolsonaro relacionada ao episódio. Ainda assim, a sucessão de revelações manteve o tema no centro do debate político nacional.

