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Geopolítica

Milei rompe tradição e escolhe militar para comandar Defesa na Argentina

Tenente-general Carlos Presti assume ministério após reforma interna e encerra ciclo de 42 anos de liderança civil

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A Argentina retomará o comando militar do Ministério da Defesa após 42 anos. De acordo com informações divulgadas pela Folha de S. Paulo, o presidente Javier Milei nomeou o tenente-general Carlos Presti como novo titular da pasta, marcando a primeira vez desde 1983 que um militar assume o posto. A decisão ocorre em meio à reestruturação do gabinete após membros do governo conquistarem cadeiras no Congresso nas eleições legislativas de outubro.

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Presti, atualmente chefe do Exército, é filho de Roque Presti, que comandou o 7º Regimento de Infantaria de La Plata durante a ditadura argentina nas décadas de 1970 e 1980. A escolha representa uma ruptura com a prática mantida por governos de diferentes matizes ideológicos desde o retorno da democracia, que priorizaram civis na chefia da Defesa.

Em comunicado citado pelo jornal, o governo argentino afirmou que a nomeação inaugura “uma tradição” e busca colocar “fim à demonização” de oficiais, sargentos e soldados, destacando que o novo ministro possui “carreira militar impecável” e atingiu o posto máximo dentro da força terrestre.

“Pela primeira vez desde o retorno da democracia, uma pessoa com uma carreira militar impecável, que alcançou o posto mais alto em sua área, chefiará o Ministério da Defesa Nacional e das Forças Armadas, inaugurando uma tradição que esperamos que a liderança política continue daqui para frente e pondo fim à demonização de nossos oficiais, sargentos e soldados”, diz o texto.

Legado da ditadura

A reportagem lembra que o país viveu, entre 1976 e 1983, uma das ditaduras mais violentas da região. Organizações de direitos humanos estimam cerca de 30 mil desaparecidos e mais de 400 bebês sequestrados, destes, 140 já tiveram suas identidades restauradas graças ao trabalho do Judiciário e da Associação Avós da Praça de Maio.

Ainda hoje, centenas de processos seguem em andamento e mais de mil repressores já foram condenados por crimes contra a humanidade.

Mudanças no gabinete

A reforma ministerial anunciada por Milei também inclui a substituição de Patricia Bullrich no Ministério da Segurança. Ela deixará o cargo para assumir o mandato de senadora, e será sucedida por Alejandra Monteoliva, que deverá manter a atual linha de atuação da pasta. O governo destacou que as duas nomeações garantem “continuidade” administrativa.

O Ministério da Segurança tem sido marcado pelo endurecimento no enfrentamento a protestos, com a aplicação de um protocolo de controle de distúrbios criticado por causar ferimentos graves em manifestantes, incluindo idosos e jornalistas.

Segundo o jornal, a expectativa é que os novos ministros ajudem Milei na articulação de reformas trabalhistas, previdenciárias e tributárias, consideradas prioritárias pelo governo.

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