O reajuste do salário mínimo para R$ 1.621, terá impacto direto sobre os gastos da Previdência Social, já que benefícios como aposentadorias e pensões são atrelados ao piso nacional. O aumento representa uma alta nominal de 6,79% em relação ao valor atual, de R$ 1.518, e passa a servir de referência para pagamentos feitos a partir de fevereiro.
De acordo com cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o reajuste deve gerar um impacto adicional de R$ 39,1 bilhões nas despesas da Previdência Social ao longo de 2026. Isso ocorre porque aposentadorias, pensões e outros benefícios do INSS são atrelados ao salário mínimo.
Segundo o levantamento, cerca de 70% dos beneficiários da Previdência recebem valores vinculados ao piso nacional. Cada R$ 1 acrescentado ao mínimo gera um custo estimado de R$ 380,5 milhões para os cofres públicos, o que explica o efeito bilionário do reajuste. As informações são da CNN.
Por que o salário mínimo subiu menos do que o previsto?
Embora o aumento represente ganho real acima da inflação, o valor final ficou abaixo das projeções iniciais. Isso se deve às regras atuais de cálculo, que combinam inflação e crescimento econômico, mas impõem limites fiscais. Os reajustes seguem a Lei nº 14.663, de 28 de agosto de 2023.
A correção considera:
- a variação do INPC, indicador de inflação calculado pelo IBGE;
- o crescimento do PIB de dois anos antes, limitado a 2,5% de ganho real.
Em 2025, o INPC acumulado ficou em 4,18%, abaixo do esperado. Já o crescimento do PIB foi maior, mas apenas parte dele pôde ser incorporada ao reajuste por causa do teto definido pelo novo arcabouço fiscal. Esse limite foi criado para evitar aumento excessivo das despesas obrigatórias da União.
Apesar da pressão sobre o orçamento público, o reajuste do salário mínimo também tem efeito positivo sobre a atividade econômica. As estimativas do Dieese indicam que R$ 81,7 bilhões devem ser injetados na economia em 2026.

