A dinâmica da pré-campanha presidencial pode ganhar um elemento de forte imprevisibilidade com os desdobramentos de uma crise na ala conservadora. O desgaste na imagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), provocado pela repercussão pública de mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, acabou abrindo uma lacuna estratégica na centro-direita, espaço que o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) e lideranças aliadas tentam agora ocupar.
O movimento, que começou de forma discreta nos bastidores, ganha contornos de balão de ensaio institucional, com fontes ligadas aos bastidores políticos confirmando que diretórios tucanos, em sintonia com os partidos Solidariedade e Cidadania, articulam formalmente o nome do mineiro como uma alternativa para a disputa pelo Palácio do Planalto.
A estratégia imediata, contudo, não se desenha como uma imposição de candidatura, mas sim como um pragmático teste de viabilidade. A federação PSDB/Cidadania, por provocação de lideranças como Roberto Freire, deve se reunir na próxima terça-feira para debater o desenho dessa engenharia política, cujo objetivo central é colocar o nome de Aécio Neves no tabuleiro para avaliar seu potencial de crescimento e rejeição nas próximas pesquisas eleitorais.
Trata-se de um termômetro para entender se o recall do deputado em nível nacional ainda é capaz de aglutinar uma fatia do eleitorado órfã de uma liderança de oposição moderada.
Ciro Gomes
Essa movimentação em torno do parlamentar mineiro ganhou força logo após uma tentativa frustrada de composição externa do PSDB. O próprio Aécio vinha liderando pontes para tentar atrair Ciro Gomes para a disputa nacional sob o guarda-chuva tucano, mas o xadrez regional se mostrou mais complexo.
Em ligação direta ao presidente nacional do PSDB, Ciro recusou oficialmente o convite para concorrer ao Planalto, informando que, apesar do aceno, seu projeto eleitoral prioritário para este ano está concentrado na disputa pelo governo do Ceará.

