A mais recente pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta terça-feira (19), traz um diagnóstico do atual momento político brasileiro. O presidente Lula mantém a liderança isolada nos cenários de primeiro turno, mas o verdadeiro termômetro do levantamento está na reorganização das forças à direita após o abalo sofrido pelo clã Bolsonaro.
O dado mais emblemático da rodada é a derretida nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro. No primeiro cenário testado, o parlamentar fluminense recuou expressivos 5,4 pontos percentuais, fixando-se em 34,3%. Este movimento é um reflexo direto do recente escândalo envolvendo a divulgação do áudio em que ele pede recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro.
A crise, que dominou o debate público nas últimas semanas, não apenas corroeu a base de Flávio, como fez a distância para Lula saltar de 6,9 para 12,7 pontos percentuais entre abril e maio. O atual presidente oscilou 0,4 ponto para cima, atingindo 47% das intenções de voto, quase dobrando sua vantagem numérica em relação ao segundo colocado.
Novos atores
Ao mesmo tempo em que a liderança tradicional da oposição flertou com a queda, o vácuo deixado abriu espaço para novos atores. O grande destaque de crescimento na pesquisa é Renan Santos, do partido Missão. O líder do Movimento Brasil Livre, que registrava discretos 2,9% em abril, saltou para 6,9% em maio na simulação principal, consolidando-se na terceira posição e empatando tecnicamente com o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que pontua 5,2%. Logo atrás surge o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, com 2,7%, seguido pelo escritor Augusto Cury, com 0,4%, e pelo ex-ministro Aldo Rebelo, com 0,2%. Os votos brancos e nulos somam 1,4%, enquanto 1,9% não soube responder.
A força dessa fragmentação fica ainda mais evidente no segundo cenário testado pela AtlasIntel, no qual nenhum nome da família Bolsonaro é incluído na disputa. Sem um herdeiro direto na urna, o espólio político não se transfere de forma automática. Nesse contexto, Romeu Zema assume a liderança do bloco oposicionista com 17%, seguido de perto por Ronaldo Caiado, que atinge 13,8%.
Renan Santos demonstra consistência fora do ecossistema bolsonarista radical e sobe para 8%, enquanto Aldo Rebelo vai a 1,8% e Augusto Cury marca 1,2%. Nesse cenário de ausência da principal grife da direita, os brancos e nulos saltam para 6,8% e os indecisos chegam a 4,6%.
Diante do desgaste de Flávio Bolsonaro, o Partido Liberal parece já testar seu plano alternativo de forma explícita. No terceiro cenário simulado, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi colocada no tabuleiro no lugar do enteado. Os números sugerem que Michelle possui um recall e uma capacidade de aglutinação interna superiores aos de Flávio, assumindo a vice-liderança com 23,4% das intenções de voto, enquanto Lula mantém os mesmos 47%.

