O principal índice da Bolsa de Valores do Brasil operou em baixa no penúltimo pregão de 2025, influenciado principalmente pelo desempenho negativo de ações de grande peso, como as da Vale. Ainda assim, o mercado caminha para encerrar o ano com um dos melhores resultados da última década, acumulando alta acima de 30%.
Por volta do fim da manhã desta segunda-feira (29), o indicador recuava pouco mais de 0,4%, girando em torno dos 160 mil pontos, depois de alternar entre leves altas e quedas ao longo do dia.
O volume financeiro negociado somava cerca de R$ 2,8 bilhões, em um pregão marcado por ajustes comuns no encerramento do ano, conforme apurado pelo InfoMoney com base em dados da Reuters.
O que é o Ibovespa e por que ele importa?
Como já paurado pelo O Brasilianista o Ibovespa é o principal índice da B3, a Bolsa de Valores brasileira. Ele funciona como um termômetro do mercado acionário, reunindo as ações mais negociadas do país em uma carteira teórica.
Criado em 1968, o índice ajuda investidores e analistas a entenderem se o mercado está em um momento de otimismo ou cautela.
De forma simples, quando o Ibovespa sobe, significa que, em média, as ações mais importantes do mercado estão se valorizando. Quando cai, indica maior receio dos investidores ou realização de lucros, que ocorre quando parte dos investidores vende ações após períodos de alta.
Queda no dia não apaga desempenho histórico no ano
Apesar do recuo no pregão, o índice acumula valorização de aproximadamente 33% em 2025, o melhor desempenho anual desde 2016, quando o avanço foi próximo de 39%. Boa parte desse resultado veio da entrada de recursos de investidores estrangeiros, que buscaram oportunidades no mercado brasileiro.
Até o dia 23 de dezembro, o saldo positivo de capital externo somava cerca de R$ 26,8 bilhões, segundo dados do mercado. Esse movimento ajudou a sustentar os preços das ações ao longo do ano, mesmo em momentos de instabilidade internacional.
Influência do cenário internacional
O desempenho mais fraco da Bolsa brasileira acompanhou o humor dos mercados externos. Nos Estados Unidos, os principais índices abriram em baixa, com o S&P 500 recuando cerca de 0,2%, após ter renovado máximas históricas na semana anterior.
Vale pesa no índice
As ações da Vale registraram queda superior a 1%, exercendo forte pressão sobre o índice. Isso ocorreu apesar da alta dos contratos futuros de minério de ferro na China, onde o principal contrato negociado subiu mais de 2,5%.
Como a Vale tem grande peso no Ibovespa, variações em seus papéis costumam impactar o desempenho geral do mercado, mesmo quando outros setores apresentam comportamento mais estável.
Petrobras sobe com petróleo mais caro
Na direção oposta, as ações da Petrobras apresentaram valorização. Os papéis preferenciais avançaram perto de 0,7%, enquanto os ordinários tiveram alta mais moderada.
O movimento acompanhou a elevação dos preços do petróleo no mercado internacional, com o barril do tipo Brent subindo mais de 2%.
Bancos têm desempenho misto
O setor bancário apresentou comportamento dividido. Ações do Itaú e do Bradesco operaram em leve alta, enquanto Banco do Brasil, Santander Brasil e BTG Pactual registraram recuos modestos. Os bancos costumam reagir tanto a expectativas sobre juros quanto ao cenário econômico geral.
Construtoras recuam, com exceções pontuais
Empresas do setor imobiliário negociadas na Bolsa tiveram, em sua maioria, desempenho negativo. Papéis de construtoras como Direcional, Cyrela e Cury operaram em queda. Em sentido contrário, a MRV apresentou leve avanço.
As ações da CVC se destacaram entre as altas do dia, com valorização próxima de 3%. O movimento ocorreu após a aprovação, por parte de aeronautas da aviação regular, da proposta de renovação da convenção coletiva de trabalho para 2025/26, afastando a possibilidade de greve no setor.

