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Economia

Estabilidade na disputa entre Lula e Flávio faz mercado reagir menos a pesquisas eleitorais

Investidores direcionam atenção a fatos capazes de alterar a corrida presidencial

Estabilidade na disputa entre Lula e Flávio faz mercado reagir menos a pesquisas eleitorais

O mercado financeiro tem apresentado reações limitadas às pesquisas sobre a eleição presidencial de 2026 em meio à manutenção de resultados semelhantes nos principais levantamentos.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) permanecem à frente dos demais candidatos, enquanto dois episódios envolvendo a definição e a trajetória da candidatura do parlamentar provocaram movimentos mais expressivos no Ibovespa.

A estabilidade das pesquisas permite comparar o comportamento do eleitorado com o desempenho da Bolsa de Valores brasileira no mesmo período.

Em vez de deixar de acompanhar a corrida presidencial, os investidores passam a incorporar as informações disponíveis aos preços dos ativos e a reagir com maior intensidade quando um novo fato altera as expectativas sobre a eleição.

Os movimentos registrados desde o fim de 2025 ajudam a explicar essa dinâmica. A confirmação de Flávio Bolsonaro como candidato, em substituição ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), provocou queda de 4,3% do Ibovespa em 5 de dezembro.

Meses depois, a divulgação das informações sobre o financiamento do filme “Dark Horse” foi acompanhada por uma retração de 1,8% do índice em 13 de maio.

Resultados mantêm polarização presidencial

O Brasilianista mostrou, que uma pesquisa do Instituto Gerp registrou Lula com 37% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 34% em uma simulação de primeiro turno.

Considerando a margem de erro de 2,19 pontos percentuais, os dois candidatos estavam tecnicamente empatados e mantinham ampla distância dos demais concorrentes.

O quadro permaneceu semelhante nas semanas seguintes. A pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada em 13 de julho registrou Lula com 47% e Flávio com 44% em uma simulação de segundo turno, os mesmos percentuais do levantamento anterior, realizado em 29 de junho.

Enquanto os números eleitorais permaneceram estáveis, as atenções dos investidores se concentraram em fatores como inflação, juros e conflitos internacionais.

A repetição dos resultados ajuda a compreender por que a divulgação de novas pesquisas não necessariamente provoca mudanças expressivas nos preços dos ativos.

Quando os levantamentos apresentam diferenças limitadas em relação às rodadas anteriores, o mercado recebe novas informações, mas não precisa alterar de maneira significativa as expectativas já incorporadas às decisões de investimento.

Essa dinâmica pode ser observada no comportamento recente da B3. Em 10 de julho, o Ibovespa avançou 2,97%, maior alta desde 23 de março, após a inflação de junho ficar abaixo das expectativas.

Três dias depois, a divulgação de uma nova pesquisa eleitoral teve repercussão limitada, enquanto investidores acompanhavam os desdobramentos da crise no Estreito de Ormuz.

Mudanças na disputa provocaram reações maiores

O primeiro movimento mais expressivo ocorreu em dezembro de 2025, quando Flávio Bolsonaro foi escolhido para representar o grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro na eleição.

A decisão reduziu as perspectivas de uma candidatura de Tarcísio de Freitas, que era visto por parte dos agentes financeiros como uma alternativa mais competitiva contra Lula.

Naquele dia, o dólar avançou 2,6%, enquanto o Ibovespa caiu 4,3%. As taxas de juros prefixadas de dois e dez anos também subiram, respectivamente, 0,52 e 0,56 ponto percentual.

A reação ocorreu porque a definição da candidatura modificou as expectativas existentes até aquele momento sobre a composição da disputa presidencial.

O episódio permite diferenciar a divulgação de uma pesquisa que confirma resultados anteriores de um acontecimento capaz de modificar as projeções dos investidores.

A entrada ou saída de um candidato competitivo, uma mudança consistente nas intenções de voto ou um fato com potencial para alterar a corrida presidencial acrescentam novas variáveis às avaliações realizadas pelo mercado.

Caso “Dark Horse” alterou números e pressionou ativos

O Brasilianista informou que uma pesquisa BTG Pactual/Nexus realizada após a repercussão do caso “Dark Horse” registrou Lula com 47% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 43% em uma simulação de segundo turno.

O senador havia recuado dois pontos percentuais em relação ao levantamento de abril, enquanto o presidente avançou um ponto.

O episódio envolveu informações sobre negociações entre Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para o financiamento do projeto audiovisual sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.

A divulgação do caso acrescentou uma nova variável à campanha e ocorreu em um momento de mudança nos percentuais registrados pelas pesquisas.

Na B3, o episódio de 13 de maio ficou conhecido como “Flávio Day 2”. O dólar avançou 2,3%, o Ibovespa recuou 1,8% e as taxas prefixadas de dois e dez anos subiram 0,27 e 0,28 ponto percentual, respectivamente.

A reação foi menor do que a registrada em dezembro, quando a escolha do senador modificou a configuração da disputa presidencial.

A primeira reação foi mais intensa porque a candidatura de Flávio reduziu as possibilidades de participação de Tarcísio, enquanto o segundo evento ocorreu quando o senador já não era considerado favorito pelo mercado.

Terceira via permanece distante dos líderes

O Brasilianista destacou, que Tarcísio de Freitas mantinha vantagem sobre Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo de São Paulo. Pesquisa Datafolha registrou o governador com 46% das intenções de voto no primeiro turno, contra 30% do ex-ministro da Fazenda.

A permanência de Tarcísio na corrida estadual ajuda a definir a composição da eleição presidencial. Com Flávio consolidado como representante do campo bolsonarista e Lula liderando os principais levantamentos, os investidores passaram a trabalhar com uma disputa concentrada entre os dois grupos políticos.

Ao mesmo tempo, outros candidatos continuam distantes dos líderes. A pesquisa do Instituto Gerp registrou Ronaldo Caiado (PSD) com 4%, enquanto Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) apareciam com 3% cada. Os demais concorrentes citados alcançaram individualmente 1% das intenções de voto.

Apesar da distância nas simulações, uma parcela dos eleitores ainda manifesta preferência por uma alternativa à polarização. O levantamento BTG Pactual/Nexus divulgado em maio registrou que 18% dos entrevistados preferiam uma terceira via, embora os candidatos desse campo permanecessem abaixo dos dois dígitos nas simulações eleitorais.

Mercado incorpora pesquisas e reage a novos fatos

Os dados eleitorais e o comportamento da Bolsa no período permitem acompanhar como novas informações são incorporadas às expectativas dos investidores.

Pesquisas com resultados próximos aos levantamentos anteriores confirmam um quadro já conhecido, enquanto alterações na composição da disputa ou episódios capazes de modificar a competitividade dos candidatos provocam movimentos mais expressivos.

O estudo da Warren Investimentos citado pelo Money Times comparou os dois episódios envolvendo Flávio Bolsonaro com outros choques políticos e econômicos.

A escolha do senador em dezembro provocou queda de 4,3% do Ibovespa, enquanto a repercussão do caso “Dark Horse” foi acompanhada por uma retração de 1,8%.

As variações foram inferiores às registradas em acontecimentos como o Joesley Day, em maio de 2017, quando o Ibovespa caiu 8,8%, e o início da pandemia de Covid-19 combinado à derrubada do veto relacionado ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), em março de 2020, quando o índice recuou 7,6%.

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