Os preços dos alimentos surpreenderam positivamente em 2025 e aliviaram o orçamento das famílias brasileiras, inclusive em meses que costumam registrar altas.
O principal motor desse movimento foi a combinação entre colheitas robustas no Brasil e no exterior e um dólar mais barato, o que reduziu custos de produção e diminuiu o incentivo às exportações.
Para 2026, analistas apontam que, mesmo com uma nova safra volumosa, o câmbio (relação entre o real e o dólar) tende a perder o papel de aliado.
Em ano eleitoral, cresce a percepção de risco fiscal, o que costuma pressionar a moeda brasileira e encarecer produtos que dependem de insumos importados ou têm preço atrelado ao mercado internacional. As informações são do InfoMoney.
O que é inflação de alimentos?
A inflação de alimentos mede a variação dos preços de itens básicos consumidos no dia a dia, como arroz, feijão, leite e carnes. Quando esses preços sobem, o impacto no bolso é imediato, especialmente para famílias de renda mais baixa, que gastam uma parcela maior do orçamento com alimentação.
Segundo o coordenador dos Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), André Braz, a melhora recente veio tanto da produção agrícola quanto do câmbio favorável: “Nem sempre uma supersafra se materializa em oferta que abra espaço para novas quedas de preços aqui no Brasil”.
Uma safra é o volume colhido ao longo do ano. Em tese, quanto maior a oferta, menor a pressão sobre os preços. Com o dólar mais alto, vender para fora do país fica mais atrativo. Isso reduz a quantidade disponível no mercado interno e limita quedas de preço.
Em períodos eleitorais costuma haver incerteza sobre gastos públicos. Esse ambiente tende a afastar investidores e enfraquecer o real frente ao dólar. Com a moeda americana mais cara, fertilizantes, máquinas agrícolas e logística ficam mais onerosos, pressionando os preços finais.
Dados recentes
A prévia da inflação oficial, o IPCA-15, apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que ao longo de 2025 os preços dos alimentos para consumo dentro de casa recuaram por vários meses consecutivos.
No acumulado do ano, a alimentação no domicílio registrou alta de apenas 1,94%, resultado considerado baixo para um grupo que costuma pressionar o índice.
Por trás desse número estão quedas expressivas em itens básicos do dia a dia. O arroz ficou 26,04% mais barato, o feijão preto caiu 31,82%, a batata-inglesa recuou 27,70%, enquanto frutas como laranja-lima (-35,33%) e limão (-29,64%) também tiveram forte redução.
Produtos industrializados essenciais seguiram a mesma tendência, como o leite longa-vida (-10,42%), o azeite de oliva (-20,90%) e o alho (-12,24%). Uma sequência tão ampla de quedas não é comum e ajudou a aliviar a inflação ao longo do ano.
Esse cenário levou o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a revisar suas projeções. Em setembro, o instituto estimava que a alimentação no domicílio subiria 4,4% no Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) de 2025.
Com a evolução mais favorável dos preços, a previsão foi reduzida para 2,1%. Para 2026, o Ipea trabalha com alta de 4,2% nos alimentos consumidos em casa, puxada principalmente pela elevação esperada das carnes, após o abate recente de fêmeas que reduz a oferta no médio prazo.
O peso da carne
A carne influencia outros alimentos porque funciona como referência de consumo. Quando ela encarece, parte da demanda migra para frango, ovos e outros produtos, elevando também esses preços. Além disso, fatores como ciclos de reprodução do gado afetam a oferta ao longo do tempo.

