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Geopolítica

Saiba quais são as apostas que sacudiram o mercado mundial em 2025

De criptomoedas ligadas à política a títulos públicos japoneses, o ano foi marcado por euforia e quedas rápidas

Saiba quais são as apostas que sacudiram o mercado mundial em 2025

Ao longo de 2025, os mercados financeiros internacionais foram palco de operações que chamaram atenção pelo tamanho das oscilações e pelo volume de dinheiro envolvido.

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Investidores atuaram em diferentes frentes, ações, títulos públicos, moedas, crédito corporativo e criptomoedas em um cenário influenciado por política, juros e expectativas econômicas. As informações são do InfoMoney.

O salto de 367% no financiamento imobiliário dos EUA

Entre os movimentos mais expressivos do ano esteve a valorização das ações da Fannie Mae e da Freddie Mac. As duas empresas são peças centrais do sistema de financiamento imobiliário dos Estados Unidos e estão sob controle do governo desde a crise financeira de 2008.

Em 2025, os papéis chegaram a acumular alta de 367% até o pico registrado em setembro. O avanço ocorreu após a reeleição de Donald Trump e a circulação de informações sobre uma possível reestruturação das companhias.

Crédito corporativo e o alerta da “barata”

O mercado global de crédito, onde empresas tomam dinheiro emprestado por meio da emissão de títulos, enfrentou uma sequência de problemas ao longo do ano. Diferentemente de crises concentradas em um único evento, 2025 foi marcado por episódios espalhados.

A Saks Global reestruturou aproximadamente US$ 2,2 bilhões em dívidas após deixar de pagar integralmente um cupom, enquanto títulos reemitidos passaram a ser negociados abaixo de 60 centavos por dólar.

Papéis da New Fortress Energy perderam mais de 50% do valor em um período de 12 meses. Falências como as da Tricolor e da First Brands eliminaram bilhões de dólares em posições de dívida em poucas semanas.

Diante desse cenário, executivos do setor passaram a usar a metáfora da barata para indicar que problemas visíveis podem apontar para fragilidades maiores escondidas no mercado.

Juros no Japão

Os títulos públicos japoneses, que funcionam como empréstimos feitos ao governo do país, passaram por mudanças relevantes em 2025. Com a elevação gradual dos juros e o anúncio de novos pacotes de estímulo fiscal, os rendimentos desses papéis subiram de forma significativa.

Os títulos de 10 anos ultrapassaram a marca de 2% ao ano, enquanto os papéis de 30 anos atingiram níveis recordes. Como o preço dos títulos cai quando os juros sobem, investidores que mantinham esses ativos registraram perdas.

Um índice que acompanha o retorno dos títulos do governo japonês acumulou queda superior a 6% no ano, o pior desempenho entre os grandes mercados.

Carry trade na Turquia termina em saída rápida de capital

A Turquia foi um dos principais destinos de investidores internacionais no início do ano por causa dos juros elevados, superiores a 40% ao ano. Esse cenário favoreceu o carry trade, estratégia em que se toma dinheiro emprestado em países com juros baixos para investir onde o rendimento é maior.

Em março, uma operação policial envolvendo o prefeito de Istambul desencadeou protestos e uma reação imediata nos mercados. Em um único dia, a saída de recursos foi estimada em cerca de US$ 10 bilhões. Ao longo de 2025, a lira turca acumulou desvalorização próxima de 17% frente ao dólar.

Criptomoedas ligadas à política ganham e perdem valor rapidamente

O mercado de criptomoedas teve forte movimentação com ativos associados ao nome do presidente dos Estados Unidos. Após declarações favoráveis ao setor e o lançamento de tokens ligados à família Trump, esses ativos passaram a ser negociados com grande volume.

A chamada memecoin associada a Trump chegou a perder mais de 80% do valor em relação ao pico registrado em janeiro. Um token ligado à primeira-dama acumulou queda próxima de 99%.

A mineradora American Bitcoin, que abriu capital por meio de uma fusão, viu suas ações recuarem cerca de 80% desde o topo alcançado em setembro.

Bitcoin e empresas expostas

O bitcoin, principal criptomoeda do mercado e usado como referência para o setor, atingiu máximas históricas em outubro, mas perdeu força nos meses seguintes. Em paralelo, empresas que mantêm grandes quantidades da criptomoeda em seus balanços passaram por oscilações mais intensas.

As ações da Strategy, companhia conhecida por concentrar reservas em bitcoin, chegaram a subir mais de 50% no ano, mas posteriormente recuaram. Entre maio e novembro, os papéis acumularam queda de cerca de 42%, reduzindo o prêmio em relação ao valor das criptomoedas detidas pela empresa.

Ações de inteligência artificial

Empresas ligadas à inteligência artificial, tecnologia usada para processar grandes volumes de dados e automatizar decisões, continuaram entre as mais negociadas do mercado. Em 2025, ações como Nvidia e Palantir enfrentaram oscilações após a divulgação de operações de proteção contra queda.

Essas operações envolvem opções de venda, contratos que permitem vender ações a um preço predeterminado. Em um dos casos, opções adquiridas por cerca de US$ 1,84 chegaram a registrar valorização de até 101% em menos de três semanas, refletindo o aumento da volatilidade no setor.

Defesa europeia passa a atrair investidores

Mudanças no cenário geopolítico levaram governos europeus a ampliar planos de gastos militares. Como resultado, ações de empresas do setor de defesa passaram a ser negociadas com maior volume.

Em 2025, papéis de companhias europeias do setor registraram altas que variaram entre 70% e 150%. O movimento também alcançou o mercado de dívida, com a emissão de títulos destinados especificamente ao financiamento de atividades ligadas à defesa.

Bolsa da Coreia do Sul sobe

O mercado acionário da Coreia do Sul teve um dos melhores desempenhos do ano. O principal índice do país avançou mais de 70% em 2025, impulsionado por reformas no mercado de capitais e pelo interesse estrangeiro em empresas de tecnologia e inteligência artificial.

Apesar da valorização, investidores domésticos foram vendedores líquidos. Dados indicam que cerca de US$ 33 bilhões foram direcionados para ações no exterior, enquanto a moeda local sofreu pressão ao longo do ano.

Ouro e a busca por proteção

Com o aumento da dívida pública em grandes economias, investidores voltaram atenção para ativos considerados reserva de valor. O ouro, tradicionalmente usado como proteção, atingiu novos recordes de preço em 2025.

Outros metais, como cobre e alumínio, também apresentaram oscilações, influenciadas por políticas tarifárias e mudanças na oferta global. Em alguns momentos, ouro e bitcoin avançaram simultaneamente, apesar de geralmente serem tratados como alternativas diferentes de investimento.

Disputas entre credores rendem retornos elevados

No mercado de crédito, algumas operações se destacaram por envolver disputas diretas entre grupos de credores. Em um dos casos, fundos que apoiaram uma nova estrutura de financiamento passaram a deter ativos considerados estratégicos.

Esses ativos foram posteriormente vendidos por cerca de US$ 4 bilhões, resultando em retornos próximos de 90% para os investidores envolvidos na operação.

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