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Economia

China acusa EUA de roubar R$ 30 bilhões em ativos virtuais; o que isso significa?

Documento liderado por órgão de cibersegurança da China afirma que Washington usa tecnologia e poder regulatório para reforçar a primazia do dólar nas finanças digitais

China acusa EUA de roubar R$ 30 bilhões em ativos virtuais; o que isso significa?

Um novo relatório divulgado por entidades chinesas de cibersegurança, lideradas pelo Centro Nacional de Resposta a Vírus de Computador (NCVERC), colocou novamente o mercado de criptomoedas em xeque, trazendo para o centro da disputa a rivalidade entre China e Estados Unidos.

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Segundo informações da Arko Advice, o documento afirma que autoridades americanas apreenderam mais de US$ 30 bilhões em ativos virtuais entre 2022 e 2025, utilizando uma combinação de instrumentos tecnológicos, jurídicos e operacionais para confiscar criptoativos em escala global.

Embora apreensões de criptomoedas não sejam novidade, especialmente em investigações relacionadas a crimes financeiros e digitais, o relatório chinês sustenta que o volume e a abrangência das ações indicariam uma estratégia coordenada de reforço da hegemonia financeira americana.

Em outras palavras, a questão vai além da retórica diplomática: reacendendo também o debate sobre soberania digital, jurisdição extraterritorial e risco regulatório no universo de cripto.

O que isso significa na prática?

O documento sustenta que Washington vem utilizando sua estrutura tecnológica, instrumentos jurídicos e agências de execução para confiscar criptomoedas em escala global.

Segundo o texto, as ações fazem parte de uma estratégia digital para reforçar a primazia do dólar e ampliar a capacidade de supervisão americana sobre o sistema financeiro global.

O relatório cita como exemplo os casos de Chen Zhi (que teria envolvido a apreensão de cerca de US$ 15 bilhões em bitcoins) e da Binance, que pagou US$ 4,3 bilhões em multas.

Além disso, a análise chinesa argumenta que os EUA combinam poder regulatório, alcance extraterritorial de suas leis e domínio tecnológico para consolidar influência sobre o mercado global de criptoativos; mesmo quando as operações envolvem empresas ou cidadãos estrangeiros.

Disputa por soberania financeira

A publicação reforça uma narrativa recorrente de Pequim de que Washington utiliza seu peso no sistema financeiro internacional como instrumento de contenção estratégica. O relatório sugere que o avanço das apreensões e sanções pode acelerar esforços chineses para reduzir a exposição a infraestruturas sob influência americana, além de influenciar políticas domésticas relacionadas à regulação de ativos digitais.

No caso das criptomoedas, esse debate é ainda mais sensíveis, já que os ativos digitais surgiram com a ideia de descentralização econômica e menor dependência de sistemas bancários tradicionais.

A divulgação ocorre em um momento de tensão geopolítica entre as duas maiores economias do mundo.

Nesse cenário, o relatório não é apenas técnico, mas também um movimento político. Reforçando a ideia de que as criptomoedas já fazem parte da disputa por influência econômica entre China e EUA.

E como fica o Brasil nessa disputa?

Enquanto China e EUA travam uma batalha estratégica em torno do controle e da supervisão do mercado global de criptomoedas, o Brasil avança em outra direção: a da institucionalização regulatória.

Recentemente, o Banco Central do Brasil publicou a Resolução nº 548, que estabelece prazos e critérios mais claros para autorizar o funcionamento das chamadas Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais. Na prática, cria um rito formal para que exchanges e intermediárias de criptoativos operem no país.

Empresas já em atividade terão até três anos (1.080 dias) para obter decisão definitiva de autorização. Já companhias que ainda não iniciaram operações terão prazo máximo de dois anos.

O processo foi dividido em duas fases, com exigências técnicas, comprovação de capital mínimo, controles de segurança cibernética e mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro.

A medida não surge isolada.

A figura jurídica dos ativos virtuais foi incorporada ao ordenamento brasileiro com a Lei 14.478/2022, e desde então o BC vem estruturando o arcabouço regulatório do setor. A supervisão pode ainda envolver a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a depender do tipo de operação.

Se a disputa entre Washington e Pequim coloca as criptomoedas no centro da geopolítica, o Brasil tenta se posicionar como um mercado regulado, previsível e institucionalmente estruturado; algo que pode se tornar diferencial competitivo na atração de capital em um cenário de fragmentação global do setor.

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