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Política

Crise empurra Correios para o mercado em busca de fôlego

A privatização segue fora do radar político, mas arranjos societários são estudados

Crise empurra Correios para o mercado em busca de fôlego

A situação dos Correios é clara: a estatal está em crise, e não é de hoje. O movimento recente para ampliar parcerias privadas é menos uma escolha estratégica e mais uma necessidade. Com receitas pressionadas, estrutura de custos engessada e baixa capacidade de investimento, a empresa tenta agora se reposicionar em um setor logístico cada vez mais dominado por operadores ágeis, capitalizados e tecnologicamente avançados.

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A fala do presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, nesta segunda-feira (29), reforça essa leitura. Ao anunciar o estudo de novos “arranjos societários”, sem privatização, a estatal sinaliza ao mercado que precisa dividir riscos e buscar competências fora de Casa. A contratação de uma consultoria externa para avaliar formatos de médio e longo prazo, dentro da terceira fase do plano de reestruturação a partir de 2027, é vista como um reconhecimento tardio de que o modelo atual se esgotou.

O empréstimo de R$ 12 bilhões junto a Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander também é interpretado como um típico movimento de socorro financeiro. Não por acaso, o plano prevê uma segunda fase de reorganização entre 2026 e 2027, com promessa de economia anual de R$ 7,4 bilhões, número que só se sustenta se houver cortes efetivos e ganhos reais de eficiência.

PDV

O anúncio de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) para até 15 mil empregados reforça o diagnóstico. Hoje, cerca de 60% do orçamento da empresa é consumido pela folha de pagamento, e 90% dos gastos são fixos, uma estrutura incompatível com a dinâmica competitiva do setor. Some-se a isso a defasagem tecnológica, o parque de máquinas obsoleto e a perda de competitividade frente a players privados que investem pesado em automação, rastreamento e logística integrada.