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Economia

A confusão na sucessão da Vale

Assembleia de acionistas confirmou Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, o Ollie, na presidência do Conselho de Administração

A confusão na sucessão da Vale

A Vale realizou uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) que elegeu parte da disputa pelo comando de seu Conselho de Administração.

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Os acionistas elegeram Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, para presidir o colegiado e escolheram Ieda Gomes Yell como nova conselheira, substituindo Daniel Stieler, que renunciou ao cargo no início de julho.

A votação ocorreu após um pedido apresentado pela Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil e um dos principais acionistas da mineradora, que defendia mudanças na composição do órgão responsável pelas decisões estratégicas da empresa.

Como começou a disputa pelo Conselho

A disputa teve início em 11 de junho, quando a Previ solicitou a realização de uma assembleia extraordinária para substituir Daniel Stieler, indicado pelo próprio fundo em 2021.

Na ocasião, a entidade também apresentou José Maurício Pereira Coelho como candidato para ocupar a vaga deixada por Stieler e defendeu a escolha de Ollie para assumir a presidência do Conselho.

A votação mostrou um resultado dividido entre as pretensões da fundação. Embora Ollie tenha sido eleito presidente do colegiado com o equivalente a 1,977 bilhão de votos, o candidato apoiado pela Previ para integrar o Conselho foi derrotado.

Ieda Gomes Yell recebeu cerca de 2,4 bilhões de votos, enquanto José Maurício Pereira Coelho somou 628,5 milhões. Com isso, a Previ garantiu a presidência do órgão, mas manteve apenas um representante indicado diretamente pelo fundo no Conselho.

Ao assumir o cargo, Ollie afirmou que pretende manter o foco na estratégia de longo prazo da companhia. “É com profundo orgulho, respeito e senso de responsabilidade que assumo a presidência do Conselho”, declarou em nota divulgada pela Vale.

O executivo também reafirmou o compromisso com o planejamento estratégico, a disciplina na alocação de capital e a atuação conjunta entre Conselho e diretoria.

Quem passa a integrar o colegiado

O material divulgado pela Vale mostra que Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira é conselheiro independente da companhia desde 2021.

Português de origem e com nacionalidade britânica, construiu carreira em empresas de mineração como Anglo American e De Beers antes de chegar à mineradora brasileira.

A nova composição também passa a contar com Ieda Gomes Yell como conselheira independente até abril de 2027. O colegiado reúne ainda representantes históricos de acionistas relevantes, como Márcio Chiumento, indicado pela Previ; Fernando Jorge Buso Gomes, representante da Bradespar; e Shunji Komai, indicado pela Mitsui, além de conselheiros independentes e do representante eleito pelos empregados da empresa.

A atual configuração do Conselho reflete o modelo adotado pela Vale após a pulverização do capital. Sem um acionista controlador, as decisões dependem da formação de alianças entre fundos de pensão, investidores institucionais, acionistas históricos e conselheiros independentes.

Disputa é resultado de uma sucessão iniciada anos atrás

O histórico da governança da mineradora ajuda a explicar por que a eleição ganhou tanta atenção. A cronologia da própria companhia mostra que a transformação da Vale em uma corporation, sem controlador definido, começou entre 2017 e 2020.

A partir da eleição do Conselho em 2021, o tema voltou ao centro das discussões após o desastre de Brumadinho e as mudanças na presidência executiva da empresa.

Entre 2023 e 2024, a sucessão do então presidente executivo Eduardo Bartolomeo provocou uma nova disputa entre diferentes grupos de influência.

Durante esse período, surgiram tentativas de indicação do ex-ministro Guido Mantega, iniciativas de investidores para ampliar participação nas decisões e, posteriormente, a escolha de Gustavo Pimenta para comandar a companhia.

Em 2026, o novo comando da Previ reabriu a discussão ao solicitar a saída de Daniel Stieler do Conselho. A sequência de acontecimentos incluiu acusações entre integrantes do colegiado, a renúncia de Stieler no início de julho e, finalmente, a assembleia que confirmou Ollie na presidência e Ieda Gomes Yell como integrante do órgão.

Gasparino continua no Conselho, mas enfrenta novo processo

A reorganização da governança da Vale não terminou com a eleição realizada na quarta-feira. Horas após a votação, a companhia anunciou a convocação de uma nova assembleia para deliberar sobre a destituição do vice-presidente do Conselho, Marcelo Gasparino.

Uma investigação conduzida por escritório independente concluiu que Gasparino vazou informações confidenciais discutidas durante reunião do Conselho realizada em 19 de junho.

O material teria chegado a acionistas minoritários e sido utilizado em consulta apresentada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) durante o processo eleitoral do colegiado.

Enquanto a assembleia não é realizada, Gasparino permanece formalmente como membro do Conselho de Administração.

No entanto, ele foi afastado imediatamente dos Comitês de Indicação e Governança e de Pessoas e Remuneração.

A decisão definitiva sobre sua permanência dependerá da votação dos acionistas em uma nova Assembleia Geral Extraordinária, convocada especificamente para analisar o caso.

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