Documentos sigilosos enviados pelo Banco Central (BC) ao Tribunal de Contas da União (TCU) revelam os bastidores da crise que levou à liquidação extrajudicial do Banco Master. Informações divulgadas por Estadão e G1 mostram que a autarquia federal descreveu um cenário de “profunda e crônica crise de liquidez” e o uso de manobras financeiras complexas para ocultar irregularidades graves.
De acordo com o relatório de 15 páginas enviado ao TCU, o BC identificou que recursos da instituição de Daniel Vorcaro eram “reciclados por meio de uma cadeia de fundos e sociedades interpostas”. O objetivo dessa estrutura seria simular transações legítimas para operações que, na realidade, não possuíam substância econômica.
O BC afirma ter feito uma nova comunicação de crime ao Ministério Público Federal (MPF) em 25 de novembro de 2025, sete dias após a liquidação do Master, afirmando que o banco de Vorcaro teria montado uma nova fraude justamente para simular os aportes de capital exigidos pelo BC para que o banco continuasse operando. A fiscalização detectou indícios de desvio de recursos com a passagem por fundos envolvidos na operação “Carbono Oculto”.
O envio dos documentos ao tribunal ocorreu após o ministro Jonathan de Jesus classificar a liquidação como “precipitada”. Segundo o BC afirmou, a medida foi a solução adequada após o “esgotamento de todas as alternativas de mercado”. A instituição chefiada por Gabriel Galípolo alertou que reverter a liquidação causaria danos graves ao sistema financeiro e à poupança popular.
O Brasilianista já mostrou que o Banco Master é investigado por suspeita de vender títulos podres, inclusive ao BRB, e camuflar um rombo de R$ 12 bilhões com manobras contábeis.

