O principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, encerrou 2025 com desempenho expressivo, acumulando valorização próxima de 34%, o melhor resultado anual desde 2016.
Com esse histórico recente, investidores e analistas passaram a avaliar quais fatores tendem a influenciar o comportamento das ações ao longo de 2026.
Economistas ouvidos pela CNN Brasil apontam que dois vetores centrais para o próximo ano serão a política de juros no Brasil e o ambiente político, marcado pelas eleições presidenciais.
Juros no centro das atenções
Como já apurado pelo O Brasilianista, a Taxa Selic é o principal juro da economia brasileira. Ela serve de referência para empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras.
Quando está elevada, aplicações de renda fixa se tornam mais atrativas, enquanto a Bolsa tende a perder fôlego. Já em ciclos de queda, o movimento costuma se inverter, com maior migração de recursos para ações.
Para especialistas do mercado, a expectativa de início do corte da Selic entre o começo e o primeiro trimestre de 2026 pode favorecer o Ibovespa. Projeções indicam que, com juros menores, o índice pode oscilar entre 170 mil e 180 mil pontos ao longo do ano.
Setores ligados ao consumo, como varejo, e empresas mais endividadas, conhecidas como small caps, companhias de menor valor de mercado, aparecem entre os mais sensíveis a esse movimento.
Ano eleitoral
Anos de eleição costumam provocar variações mais intensas nos preços das ações, já que investidores reagem a pesquisas, discursos e propostas econômicas dos candidatos.
Economistas alertam que esse cenário exige cautela. Para reduzir riscos, a recomendação é priorizar setores considerados mais defensivos, como bancos, seguradoras e grandes exportadoras de commodities.
A avaliação de analistas também leva em conta o quadro fiscal do país. O nível elevado de déficit público pressiona os juros e influencia a percepção de risco do Brasil.
Dependendo do resultado das eleições e do compromisso do próximo governo com o equilíbrio das contas públicas, o mercado pode reagir de forma mais positiva ou mais conservadora.
O desempenho de 2025
Como informado pelo O Brasilianista, apesar da Selic ter atingido 15% ao ano, o maior patamar em duas décadas, o Ibovespa encerrou 2025 com alta próxima de 30% e 32 recordes de fechamento, o melhor desempenho em seis anos.
Entre os fatores que ajudaram a sustentar o avanço estiveram o cenário internacional e o fluxo de capital estrangeiro. O corte dos juros nos Estados Unidos reduziu a atratividade dos títulos do governo americano, considerados os mais seguros do mundo, levando investidores a buscar alternativas em mercados emergentes, como o Brasil.

