O Bitcoin começou 2026 com valorização, mas não conseguiu sustentar o avanço. Nesta quinta-feira (08), o ativo passou a ser negociado abaixo de US$ 90 mil após uma queda de aproximadamente 2,7% em 24 horas, atingindo o menor patamar dos últimos cinco dias.
A retração ocorreu em um ambiente de maior aversão ao risco, quando investidores reduzem exposição a ativos considerados mais voláteis, como criptomoedas, e buscam alternativas vistas como mais seguras. As informações são da agência InfoMoney.
O que explica a queda do Bitcoin?
O recuo aconteceu depois de o Bitcoin alcançar US$ 91.570 durante a madrugada e, mais uma vez, não conseguir ultrapassar a região próxima de US$ 94.500.
Esse patamar funciona como uma chamada resistência, termo usado no mercado financeiro para indicar um preço no qual muitos investidores tendem a vender, dificultando novas altas.
A falha nesse movimento ampliou a pressão vendedora e levou o ativo a devolver parte dos ganhos acumulados no começo do ano.
Impacto no restante do mercado de criptomoedas
Outras criptomoedas, conhecidas como altcoins, ativos digitais alternativos ao Bitcoin, sofreram perdas ainda mais intensas, especialmente aquelas com menor liquidez, ou seja, mais difíceis de negociar em grandes volumes.
Por volta do meio-dia:
- Ethereum registrava queda superior a 4%;
- XRP recuava mais de 6%;
- BNB cedia quase 3%;
- Solana e Cardano apresentavam perdas próximas de 3% a 5%;
- Dogecoin acumulava desvalorização acima de 5%.
Somadas, essas quedas retiraram cerca de US$ 100 bilhões do valor total do mercado de criptomoedas em apenas um dia.
O que aconteceu no mercado de derivativos?
No segmento de derivativos, que envolve contratos futuros e apostas alavancadas (operações feitas com dinheiro emprestado), o movimento foi ainda mais intenso.
Mais de US$ 400 milhões em posições foram liquidados, principalmente de investidores que apostavam na alta dos preços. Quando essas posições são encerradas à força, o efeito costuma acelerar as quedas.
O volume total de contratos futuros em aberto no mercado cripto caiu para aproximadamente US$ 140 bilhões, após ter atingido o maior nível em quase dois meses no dia anterior.
Analistas acompanham com atenção os chamados níveis técnicos. No caso do Bitcoin, a região de US$ 94.500 segue sendo observada como uma barreira difícil de superar.
Abaixo disso, os principais suportes, faixas de preço onde costuma surgir demanda, aparecem em torno de US$ 89 mil e US$ 82 mil.
No Ethereum, apesar da queda após tocar a região de US$ 3.296, especialistas avaliam que o movimento ainda pode representar uma correção temporária. Áreas próximas de US$ 3.000 e US$ 2.840 são vistas como zonas importantes de sustentação.
Conexão com os mercados tradicionais
A desvalorização das criptomoedas ocorreu ao mesmo tempo em que os futuros dos principais índices de ações dos Estados Unidos operavam no vermelho, como o Nasdaq 100 e o S&P 500.
Outro fator foi o fortalecimento do dólar, medido pelo índice DXY, que avançou mais de 1% desde o fim de dezembro. Um dólar mais forte costuma pressionar ativos de risco, incluindo ações e criptomoedas.

