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Economia

Economia brasileira desacelera e só deve ganhar ritmo no próximo governo, aponta ONU

Juros elevados pressionando investimentos e retomada mais consistente apenas a partir de 2027

Economia brasileira desacelera e só deve ganhar ritmo no próximo governo, aponta ONU

Segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (08), o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve crescer 2% em 2026, ano de eleição presidencial, com aceleração mais perceptível apenas em 2027, quando a expansão pode chegar a 2,3%.

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O PIB é a soma de tudo o que um país produz em bens e serviços. Ele funciona como um termômetro da atividade econômica: quando cresce mais, indica expansão; quando cresce menos, sinaliza desaceleração. As informações são da CNN.

Como foi o desempenho recente da economia

De acordo com a ONU, o Brasil deve ter encerrado 2025 com crescimento de 2,5%, abaixo dos 3,4% registrados em 2024. Mesmo com a revisão positiva para 2025, a trajetória indica perda de ritmo.

A organização manteve a projeção para 2026, mas ajustou os números anteriores, reforçando a leitura de que o país entrou em um período de crescimento mais contido após um ciclo de recuperação mais forte.

A ONU atribui a desaceleração principalmente aos efeitos atrasados do aperto monetário. Isso significa que os juros elevados, usados para conter a inflação, continuam impactando a economia mesmo depois de meses.

No Brasil, a taxa básica de juros, a Selic, chegou a 15%, um dos níveis mais altos das últimas décadas. Juros elevados encarecem o crédito, reduzem investimentos das empresas e freiam o consumo das famílias.

Política fiscal ajuda

O relatório aponta que uma política fiscal considerada moderadamente expansionista, quando o governo gasta mais para estimular a economia, ajuda a compensar parte dessa desaceleração.

Ainda assim, o estímulo fiscal não é suficiente para anular totalmente o impacto dos juros altos sobre o investimento produtivo.

Outro fator citado pela ONU são as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O governo do presidente Donald Trump chegou a aplicar sobretaxas de até 50% sobre determinados itens.

A organização, porém, avalia que o impacto no Brasil tende a ser limitado, já que os EUA respondem por cerca de 12% das exportações brasileiras e parte das tarifas foi revertida posteriormente.

Quando a economia deve acelerar novamente?

Segundo a ONU, o Brasil só deve recuperar um ritmo mais forte de crescimento a partir de 2027, já sob um novo governo. A projeção é de avanço de 2,3%, acima do desempenho esperado para 2026, mas ainda distante de taxas consideradas elevadas para um país emergente.

Em 2025, o Brasil deve crescer mais do que a média da América Latina e Caribe, que ficou em torno de 2,4%. No entanto, a ONU projeta que, nos anos seguintes, o país passe a crescer em ritmo inferior ao da região.

Em relação ao México e à América Central, o Brasil aparece com desempenho mais robusto até 2026, mas tende a perder essa posição em 2027.

Situação fiscal preocupa

O relatório reforça alertas sobre as contas públicas. A dívida bruta do governo geral ultrapassou 90% do PIB, alcançando 91,4% em 2025, acima da média dos países em desenvolvimento.

A ONU também avalia que o Brasil não conseguiu cumprir a meta de inflação em 2025. O IPCA teria fechado o ano em 5%, acima do centro da meta de 3%, que admite tolerância de até 4,5%.

A organização observa que, apesar dos juros elevados, a inflação segue resistente. Para os próximos anos, a expectativa é de desaceleração gradual: 4,3% em 2026 e 4% em 2027.

Apesar de ter sido uma exceção entre países emergentes, mantendo juros elevados em 2025, o Brasil deve iniciar um ciclo de redução das taxas ao longo de 2026, segundo a ONU, à medida que a inflação perca força.

A política monetária é conduzida pelo Banco Central do Brasil, que define a Selic com base nas expectativas de inflação e atividade econômica.

Em meio ao crescimento mais fraco, o relatório destaca um ponto positivo: o mercado de trabalho. O Brasil registrou em 2025 o menor nível de desemprego em décadas, com taxa de 5,2% em novembro, além de aumento real do salário mínimo.

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