No último sábado (10), o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, em entrevista à agência Reuters, afirmou que sanções adicionais dos EUA contra a Venezuela podem ser retiradas ainda esta semana.
Essa suspensão está diretamente ligada à tentativa de reorganizar o setor petrolífero venezuelano e facilitar o acesso do país a recursos hoje bloqueados no exterior.
Como apurado pelo O Brasilianista, a iniciativa ocorre após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro por forças dos EUA, em Caracas, e sua transferência para Nova York, onde responde a acusações de tráfico de drogas.
Desde então, Washington vem desenhando um plano para estabilizar a economia venezuelana e reintroduzir o país no sistema financeiro internacional.
“Estamos retirando as sanções ao petróleo que será vendido. Como podemos ajudar esse dinheiro a voltar para a Venezuela, para administrar o governo, administrar os serviços de segurança e entregá-lo ao povo venezuelano?”, disse Bessent sobre a análise das sanções do Departamento do Tesouro.
O que são as sanções e por que elas pesam na economia?
As sanções impostas pelos Estados Unidos nos últimos anos restringem transações financeiras com o governo venezuelano.
Os bancos internacionais e credores ficam impedidos de negociar com Caracas sem autorizações específicas do Tesouro americano.
Esse bloqueio dificulta a venda de petróleo no mercado internacional, o recebimento de pagamentos e qualquer tentativa de renegociar a dívida externa da Venezuela, estimada em cerca de US$ 150 bilhões.
Sem acesso a crédito e com receitas travadas, o país passou a depender de esquemas complexos de comercialização de petróleo, muitas vezes com grandes descontos.
Petróleo no centro da estratégia
Segundo Bessent, o Tesouro americano avalia retirar restrições sobre o petróleo venezuelano atualmente armazenado, em grande parte, em navios-tanque.
De acordo com o secretário, “Poderia ser já na próxima semana”, mas não especificou exatamente quando essas medidas podem acontecer.
O movimento também busca criar um ambiente mais previsível para o retorno de empresas americanas ao setor de energia venezuelano, especialmente produtoras independentes e fundos privados, que costumam agir com mais rapidez do que grandes multinacionais.
Recursos congelados no FMI
Outro ponto central das discussões envolve os Direitos Especiais de Saque (DES) da Venezuela no Fundo Monetário Internacional (FMI).
Os DES funcionam como um ativo de reserva internacional, composto por uma cesta de moedas fortes, dólar, euro, iene, libra esterlina e yuan.
A Venezuela possui cerca de 3,59 bilhões de DES, o equivalente a aproximadamente US$ 4,9 bilhões, mas não pode utilizá-los atualmente.
Bessent afirmou que os EUA estudam transformar esses direitos em dólares, permitindo que os recursos sejam empregados na reconstrução econômica do país.
O secretário também confirmou reuniões com a direção do FMI e do Banco Mundial já na próxima semana para tratar do tema.
Relação congelada há décadas
A Venezuela não passa por uma avaliação formal do FMI desde 2004 e quitou seu último empréstimo com o Banco Mundial em 2007, ainda no governo de Hugo Chávez.
Desde então, o país se afastou dos organismos multilaterais, rompendo canais tradicionais de financiamento e assistência técnica.
O Banco Mundial já avalia, de forma preliminar, como poderia apoiar a Venezuela, seguindo modelos adotados recentemente em países como Afeganistão e Síria após mudanças de regime.
Proteção da receita do petróleo
Na sexta-feira (09), o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que impede tribunais ou credores de confiscar receitas do petróleo venezuelano mantidas em contas sob controle do Tesouro americano.
O decreto estabelece que esses recursos devem ser preservados com o objetivo declarado de promover “paz, prosperidade e estabilidade” no país sul-americano, evitando disputas judiciais que possam atrasar o uso do dinheiro.
De acordo com Bessent, empresas menores tendem a retornar rapidamente à Venezuela, aproveitando a flexibilização das regras. Já grandes companhias demonstram cautela, especialmente após episódios de nacionalização no passado.
A Chevron, presente há décadas no país, foi citada como uma das empresas que devem ampliar o envolvimento caso o ambiente regulatório se torne mais previsível
“A Chevron está presente há muito tempo e continuará lá, por isso acredito que seu compromisso aumentará consideravelmente.” declarou o secretário.
Bessent também apontou um possível papel do Banco de Exportação e Importação dos EUA no financiamento de projetos ligados ao setor petrolífero.
Como noticiado pelo O Brasilianista, ao determinar a saída de 66 entidades, entre instituições ligadas ao sistema da ONU e organizações independentes, o governo americano sinaliza que pretende limitar compromissos multilaterais e concentrar recursos em agendas consideradas estratégicas internamente.
A justificativa apresentada pela Casa Branca é de que essas organizações deixaram de entregar resultados compatíveis com os aportes financeiros feitos pelos contribuintes americanos, além de atuarem, segundo o governo, em linhas políticas vistas como distantes das prioridades nacionais.

