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Geopolítica

Saiba quem é Jerome Powell e por que ele virou alvo direto de Donald Trump

Presidente do banco central dos EUA está no centro de um conflito sobre juros, inflação e autonomia institucional

Saiba quem é Jerome Powell e por que ele virou alvo direto de Donald Trump

Jerome Powell, cujo nome completo é Jerome Hayden Powell, nasceu em 4 de fevereiro de 1953, em Washington, D.C. Filho de um advogado e de uma matemática, cresceu em um ambiente voltado à análise institucional e ao debate público.

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Sua formação foge do padrão tradicional da política monetária, ele é bacharel em Ciências Políticas pela Universidade de Princeton e formado em Direito pela Universidade de Georgetown, onde foi editor-chefe da Georgetown Law Journal.

Powell construiu carreira no mercado financeiro após atuar como advogado. Trabalhou no banco de investimentos Dillon, Read & Company, passou pelo Bankers Trust e, em 1997, tornou-se sócio do Carlyle Group, uma das maiores gestoras globais de investimentos.

Foi nesse período que acumulou a maior parte de seu patrimônio, estimado entre US$ 26 milhões e US$ 104 milhões, segundo declarações financeiras oficiais. As informações são do portal InfoMoney.

Do mercado ao comando do Fed

Powell entrou no setor público no início dos anos 1990, durante o governo de George H. W. Bush, como subsecretário do Tesouro dos EUA, responsável por temas ligados ao sistema financeiro e ao mercado de títulos públicos.

Anos depois, ganhou projeção como pesquisador do Bipartisan Policy Center, onde ficou conhecido por articular consensos entre democratas e republicanos em momentos de crise fiscal.

Em 2012, foi nomeado por Barack Obama para o Conselho de Governadores do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.

Em 2018, foi escolhido por Donald Trump para presidir a instituição, rompendo a tradição de reconduzir o presidente anterior do Fed. Em 2022, acabou reconduzido ao cargo por Joe Biden, após aprovação do Senado.

O que faz o presidente do Fed?

O presidente do Federal Reserve (Fed) lidera a instituição responsável por definir a taxa básica de juros da economia americana, supervisionar o sistema bancário e atuar para manter a inflação sob controle.

Como os Estados Unidos têm a maior economia do mundo e o dólar é a principal moeda internacional, decisões do Fed influenciam juros, câmbio, inflação e investimentos em escala global.

O conflito com Trump

De acordo com a BBC, o embate entre Powell e o ex-presidente Donald Trump se intensificou porque Powell se recusou a reduzir os juros no ritmo desejado pelo governo.

Trump defendia taxas mais baixas para estimular a economia e reduzir o custo da dívida pública. Powell manteve a estratégia de conter a inflação, mesmo diante de críticas públicas.

Em janeiro de 2026, procuradores federais abriram uma investigação criminal contra Powell relacionada a um depoimento ao Senado sobre a reforma da sede do Fed, orçada em cerca de US$ 2,5 bilhões.

Powell classificou a apuração como sem precedentes e afirmou que ela ocorre em um ambiente de pressão política contínua.

“Isso diz respeito a se o Fed poderá continuar a definir taxas de juros com base em evidências e condições econômicas ou se, em vez disso, a política monetária será direcionada por pressão política ou intimidação”, afirma Powell.

Debate global

Como já apurado pelo O Brasilianista, o conflito passou a ter impacto direto no debate global sobre a independência dos bancos centrais.

A pressão sobre Powell é vista por autoridades monetárias de outros países como um teste institucional: qualquer sinal de interferência política no Fed pode afetar a credibilidade da política monetária americana.

Esse cenário tende a influenciar mercados financeiros, decisões de investimento e a condução de juros em outros países. Donald Trump já chegou a chamar Jerome de “incompetente”.

“Tenho profundo respeito pelo Estado de Direito e pela responsabilidade em nossa democracia. Ninguém, certamente não o presidente do Federal Reserve, está acima da lei. Mas essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo”, afirmou o presidente do Fed.

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