O Parlamento Europeu se organiza para votar a paralisação de um acordo comercial firmado entre a União Europeia e os Estados Unidos em 2025.
A iniciativa surge após declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que associou tarifas comerciais a pressões políticas envolvendo a Groenlândia.
Líderes parlamentares informaram que a votação formal deve ocorrer na quarta-feira (21). Até agora, o tratado não produziu efeitos práticos. As informações são do portal G1.
Como funciona o acordo entre UE e EUA
O tratado foi negociado em julho do ano passado com o objetivo de reorganizar o comércio bilateral. Pelo texto, os Estados Unidos manteriam tarifas de 15% sobre a maior parte dos produtos europeus, enquanto o bloco europeu reduziria ou eliminaria taxas aplicadas a mercadorias norte-americanas.
Apesar da assinatura política, o acordo dependia de dois passos para começar a valer: aprovação do Parlamento Europeu e ratificação pelos governos dos países-membros. A previsão inicial era de entrada em vigor entre março e abril deste ano.
Pressão externa e reação política
A discussão sobre o congelamento ganhou força após Trump anunciar que pretende impor tarifas extras a países europeus que rejeitem o plano dos Estados Unidos de adquirir a Groenlândia, território autônomo ligado ao Reino da Dinamarca.
A presidente do grupo Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas, Iratxe García Pérez, explicou que diferentes correntes políticas do Parlamento passaram a defender a suspensão como resposta institucional às ameaças comerciais.
O presidente norte-americano declarou que Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia poderão sofrer uma taxa adicional de 10% sobre todas as exportações para os EUA a partir de 1º de fevereiro de 2026. A alíquota subiria para 25% em junho do mesmo ano.
As declarações foram feitas em publicações nas redes sociais do próprio chefe de Estado.
Reação dos governos europeus
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, classificou a estratégia americana como um uso de tarifas para impor exigências políticas.
O chanceler afirmou que a Comissão Europeia, órgão responsável por executar as políticas do bloco, dispõe de mecanismos legais para responder a esse tipo de pressão.
O governo francês declarou apoio à interrupção do tratado comercial como forma de reação coordenada.
Impacto econômico em avaliação
Com a suspensão do acordo, a União Europeia volta a analisar medidas de retaliação comercial. Entre as possibilidades estão tarifas contra produtos americanos que podem alcançar até 93 bilhões de euros, além de limitações à atuação de empresas dos EUA no mercado europeu.
Essas medidas fazem parte do arsenal comercial previsto nas regras internas do bloco para disputas internacionais.
A Groenlândia no centro do impasse
A ilha está localizada no Ártico, em uma rota marítima considerada relevante para o comércio global e para a exploração de recursos naturais como terras raras, petróleo e gás.
Como informado pelo O Brasilianista, o presidente americano também relaciona o território ao projeto de um sistema antimísseis, apelidado de “Domo de Ouro”, que pretende implantar para a defesa dos Estados Unidos.
Resposta diplomática e militar
Países europeus anunciaram reforço na segurança da região, incluindo o envio de contingentes militares a pedido do governo dinamarquês.
Em comunicado conjunto, nações como Alemanha, França e Reino Unido declararam compromisso com a proteção da Groenlândia e com a segurança do Ártico dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
O governo local agradeceu o apoio, enquanto manifestações populares ocorreram tanto na ilha quanto em Copenhague.
Instrumentos de retaliação em análise
Como divulgado pelo O Brasilianista, a União Europeia avalia recorrer ao Instrumento contra a Coerção Econômica, conhecido informalmente como “bazuca comercial”. A ferramenta foi criada em 2023 para permitir respostas coordenadas a pressões econômicas externas.
O mecanismo autoriza medidas como aumento de tarifas, restrições a serviços, limites a investimentos estrangeiros e exclusão de empresas de licitações públicas, desde que haja aprovação dos 27 países do bloco.

