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Geopolítica

Saiba quais países puxam e quais freiam o acordo Mercosul-UE

Mapa político do bloco europeu revela divisões internas que vão influenciar preços, regras ambientais e o ritmo de adaptação de produtores

Saiba quais países puxam e quais freiam o acordo Mercosul-UE

O Conselho da União Europeia, liberou o avanço do tratado comercial com o Mercosul após votação que terminou com 21 países favoráveis, cinco contrários e uma abstenção.

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De acordo com o Poder 360, o resultado permite a assinatura formal e envia o texto ao Parlamento Europeu, responsável por nova análise.

Entre os defensores, aparecem Alemanha, Itália, Holanda e Espanha. Para esses governos, o tratado amplia mercado para bens industriais, cria ambiente jurídico previsível para empresas e reduz dependência de Estados Unidos e China.

O grupo que resiste e os motivos

Segundo BBC News, a oposição se concentra em França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda. Agricultores desses países levaram tratores às ruas alegando risco direto à renda rural.

O temor gira em torno da carne bovina, aves, açúcar e etanol produzidos na América do Sul com custos menores.

O acordo prevê uma cota anual de 99 mil toneladas de carne com tarifa reduzida. Mesmo dentro desse limite, produtores locais calculam pressão sobre preços internos.

Especialistas ouvidos pela emissora explicam que a indústria e os serviços tendem a ganhar espaço, enquanto parte da agricultura enfrenta ajuste duro. Esse desequilíbrio alimenta a resistência política.

A abstenção que revela divisão interna

A Bélgica não votou nem a favor nem contra. O país vive disputas regionais e federais sobre impactos ambientais e sociais do tratado. Autoridades pediram garantias adicionais antes de apoiar formalmente.

O papel decisivo de Roma

Como informado pela CNN Brasil, a Itália havia sinalizado desconforto com possíveis efeitos sobre agricultores locais.

Após negociações por salvaguardas e fundos de proteção ao setor rural, o governo mudou o voto. No Conselho, não basta contar países; é preciso somar população representada. O apoio italiano garantiu o requisito demográfico.

Depois da assinatura, o texto passa pelo Parlamento Europeu e pelos ritos internos de cada país do Mercosul. O acordo envolve tarifas, regras de origem, compras governamentais, serviços e mecanismos de solução de disputas.

Por que Berlim liderou a defesa do texto?

A Alemanha vê no Mercosul um mercado para automóveis, máquinas industriais e produtos químicos. A indústria alemã enfrenta concorrência asiática crescente e busca novos compradores.

Analistas citados pela BBC também mencionam interesse europeu em minerais críticos presentes na América do Sul, como lítio, grafite e níquel, usados em baterias e tecnologias da transição energética.

O apoio integral do bloco sul-americano

Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai defendem a assinatura. Os governos enxergam oportunidade para ampliar vendas de soja, carne, açúcar e milho e ganhar acesso a um mercado com centenas de milhões de consumidores. O bloco também vê chance de integrar cadeias globais de valor e atrair investimentos.

As regras técnicas que preocupam produtores brasileiros

Como divulgado pela Agência InfoMoney, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil alerta que a redução de tarifas pode perder efeito diante do Regulamento Europeu de Desmatamento (EUDR).

A norma exige rastreabilidade completa e comprovação de que a produção não esteja ligada a áreas desmatadas após 2020.

Outro ponto são as salvaguardas agrícolas que permitem à Europa suspender benefícios rapidamente quando identificar aumento de importações ou queda de preços internos.

Para a entidade, pequenos e médios produtores podem enfrentar custos elevados para cumprir exigências.

O que a etapa no Congresso brasileiro pode alterar?

Como apurado pelo O Brasilianista, a Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, grupo de deputados e senadores que acompanha temas do bloco, vota se o texto vira projeto de decreto legislativo. Essa decisão coloca o acordo na pauta da Câmara e do Senado.

Projeções oficiais citadas pelo veículo indicam aumento do PIB, crescimento de investimentos, leve redução de preços ao consumidor e alta de salários reais no longo prazo.

O governo também calcula perda inicial de arrecadação com a queda de tarifas sobre produtos europeus. O acordo inclui cláusulas de defesa para agricultores europeus e discussões no Brasil sobre regulamentação da Lei de Reciprocidade, instrumento para reagir a medidas unilaterais.

Países da União Europeia na votação do acordo Mercosul-UE

Apoiam o acordoVotaram contraAbstençãoAlemanhaFrançaBélgicaItáliaPolôniaEspanha ÁustriaHolandaHungriaPortugal IrlandaGréciaSuéciaDinamarcaFinlândiaRepública TchecaEslováquiaEslovêniaCroáciaRomêniaBulgáriaEstôniaLetôniaLituâniaLuxemburgoMaltaChipre

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