Como divugado pelo O Brasilianista, a vitória de António José Seguro na eleição presidencial portuguesa recolocou a moderação no centro do debate público local e abriu uma janela para observar algo maior: a forma como o continente tem reorganizado seus polos políticos.
O resultado não ficou restrito ao Palácio de Belém. Ele dialoga com uma tendência continental em que parte do eleitorado reage ao avanço de agendas nacionalistas, enquanto outra parcela se desloca justamente para elas, em busca de respostas rápidas a inseguranças econômicas, migratórias e culturais.
Como o continente se divide politicamente?
Como informado pelo Mundo Educação, a Europa reúne cerca de 50 países distribuídos entre regiões com histórias, economias e culturas distintas.
Essa diversidade ajuda a explicar por que não existe uma única “onda” ideológica homogênea. O norte do continente, com alto desenvolvimento social, convive com governos social-democratas e liberais.
O leste apresenta lideranças nacionalistas com forte discurso identitário. O sul alterna experiências entre centro-esquerda e direita conservadora. Já o oeste concentra democracias tradicionais pressionadas por partidos anti-imigração.
Essa divisão regional ajuda a entender por que o avanço da direita radical em um país não significa, automaticamente, o mesmo movimento no vizinho.
Europa Ocidental: pressão da direita, reação do centro
França, Alemanha, Espanha e Irlanda vivem situações em que lideranças associadas ao centro ou à centro-esquerda convivem com parlamentos pressionados por partidos de direita radical.
Na França, Emmanuel Macron ocupa a presidência com perfil centrista liberal, enquanto forças nacionalistas ampliam espaço no Legislativo.
Na Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, ligado à social-democracia, atua em um sistema parlamentar onde a direita cresce regionalmente.
Na Espanha, Pedro Sánchez lidera um governo socialista sob oposição conservadora intensa. Na Irlanda, Catherine Connolly, independente de esquerda, chegou ao cargo com discurso crítico ao establishment.
Norte europeu: social-democracia resistente e liberais pragmáticos
Dinamarca, Finlândia, Suécia e Noruega apresentam alguns dos melhores indicadores sociais do planeta. Nesses países, a tradição social-democrata ainda tem peso, mas passou a dividir espaço com coalizões de centro-direita que incorporam pautas duras sobre imigração.
A primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen mantém linha social-democrata. Na Finlândia, o presidente Alexander Stubb representa a centro-direita liberal pró-Europa.
A Suécia é governada por coalizão conservadora apoiada por partido anti-imigração. Na Noruega, o trabalhismo de Jonas Gahr Støre divide espaço com crescimento conservador.
Leste europeu: nacionalismo, conservadorismo e tensão com a União Europeia
Hungria, Polônia, Sérvia e Turquia exibem lideranças associadas à direita nacionalista. Viktor Orbán defende o que chama de “democracia iliberal”.
Na Polônia, a presidência de Karol Nawrocki contrasta com um governo mais liberal no Parlamento. A Sérvia, com Aleksandar Vučić, combina discurso pró-Europa com laços com Rússia e China.
A Turquia, liderada por Recep Tayyip Erdoğan, adota conservadorismo nacional e política externa autônoma.
Sul europeu: alternância constante entre campos políticos
Itália, Grécia, Malta e Chipre alternam governos entre centro-esquerda e direita conservadora. O presidente italiano Sergio Mattarella atua como moderador institucional.
A Grécia tem liderança parlamentar conservadora. Malta é governada por partido trabalhista. Chipre elegeu Nikos Christodoulides com apoio de centro-direita.
Lista de países europeus, chefes de Estado/Governo e posição ideológica
apelidado de “o último ditador da EuropaBósnia e HerzegovinaPresidência tripartitePredominância de forças nacionalistas de direitaBulgáriaIliana IotovaEsquerda (Partido Socialista Búlgaro)CazaquistãoKassym-Jomart TokayevCentro, centro direitaChipreNikos ChristodoulidesSe elegeu independente, mas foi apoiado por partidos de esquerdaCroáciaZoran MilanovićCentro-esquerda DinamarcaPrimeira-ministra, Mette FrederiksenCentro-esquerda (social-democrata)EslováquiaPeter PellegriniEsquerda (social-democrata)EslovêniaNataša Pirc MusarSe elegeu independente, mas foi apoiada pelo Centro-esquerda liberalEspanhaPedro SánchezPartido Socialista Operário Espanhol (PSOE)EstôniaAlar KarisSe elegeu independente, mas foi apoiado por partidos governistas: o Partido Reformista da Estônia e o Partido do Centro da EstôniaFinlândiaAlexander StubbCentro-direita conservadora FrançaEmmanuel MacronCentro-direitaGréciaKonstantinos TasoulasCentro-direita conservadoraHungriaPrimeiro-ministro, Viktor OrbánDireita conservadoraIrlandaCatherine ConnollyEsquerda IslândiaHalla TómasdóttirSocial-democrataItáliaSergio MattarellaCentro moderado institucionalLetôniaEdgars RinkēvičsCentro / centro-direita liberalLiechtensteinPríncipe Hans-Adam II / regente AloisMonarquiaLituâniaGitanas NausėdaCentro-direita LuxemburgoLuc FriedenCentro-direita, Partido Popular Social Cristão (CSV)MaltaMyriam Spiteri DebonoCentro-esquerda, Partido Trabalhista MoldáviaMaia SanduCentro-direita MônacoPríncipe Albert IIMonarquiaMontenegroJakov MilatovićCentro-direitaNoruegaJonas Gahr StøreCentro-esquerdaPaíses BaixosRei Willem-AlexanderMonarquia Constitucional PolôniaKarol NawrockiCentro-direitaPortugalAntónio José SeguroCentro-esquerdaTchéquiaPetr PavelIndependente com apoio de partidos do Centro-direitaMacedônia do NorteGordana Siljanovska-DavkovaDireitaReino UnidoRei Charles III / primeiro-ministro Keir StarmerHíbridoRomêniaNicușor DanCentro liberalRússiaVladimir PutinConservador nacionalistaSan MarinoCapitães-Regentes (rotativo)Sistema parlamentar multipartidárioSérviaAleksandar VučićCentro-esquerdaSuéciaUlf KristerssonApoio da extrema-direitaSuíçaPresidência rotativaSistema colegiado multipartidárioTurquiaRecep Tayyip ErdoğanDireita conservadora nacionalistaUcrâniaVolodymyr ZelenskyLiberalVaticanoPapa / comissão pontifíciaTeocracia

