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Geopolítica

Lula busca opinião de outros governos antes de decisão sobre Conselho da Paz de Trump

Itamaraty busca ouvir outros governos antes de definir posição sobre proposta liderada por Washington

Lula busca opinião de outros governos antes de decisão sobre Conselho da Paz de Trump

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou conversas reservadas com outros países convidados para integrar o Conselho da Paz, órgão internacional idealizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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A estratégia brasileira envolve ouvir como essas nações receberam o convite e quais avaliações estão sendo feitas sobre a nova estrutura antes de qualquer resposta oficial.

As tratativas são conduzidas pelo Ministério das Relações Exteriores, conhecido como Itamaraty, responsável pela política externa do país.

O objetivo é compreender o alcance político e jurídico do conselho e os possíveis efeitos da adesão ou da recusa. As informações são da Folha de São Paulo.

Diálogo com líderes europeus

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, manteve contato com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa.

As conversas abordaram o funcionamento do conselho e a leitura europeia sobre a iniciativa americana. Diplomatas brasileiros avaliam que uma resposta articulada entre países convidados pode reduzir desgastes individuais e abrir espaço para ajustes nas regras do colegiado.

O que é o Conselho da Paz?

Como divulgado pelo O Brasilianista, o Conselho da Paz é um novo organismo proposto pela Casa Branca como parte de um plano voltado inicialmente à guerra entre Israel e o Hamas, na Faixa de Gaza.

A ideia é criar uma instância internacional com poder político para acompanhar cessar-fogo, reconstrução e administração do território, com possibilidade de atuação futura em outros conflitos.

O desenho apresentado pelos Estados Unidos prevê que o conselho funcione acima de estruturas executivas criadas especificamente para Gaza, concentrando decisões estratégicas em um grupo restrito de países e líderes.

Lista de países e alcance global

Como informado pelo O Brasilianista, cerca de 60 governos receberam cartas-convite, entre eles Argentina, Alemanha, França, Turquia, Egito, Polônia, Rússia e Belarus.

Esse número representa menos de um terço dos integrantes da Organização das Nações Unidas (ONU), o que alimenta questionamentos sobre a legitimidade e a representatividade da proposta.

O convite chegou oficialmente ao presidente brasileiro por meio de correspondência direta enviada pela Casa Branca. A resposta, caso ocorra, deve ser encaminhada também de forma direta entre os chefes de Estado.

Enquanto análises políticas e jurídicas seguem em curso, o governo brasileiro continua acompanhando o posicionamento de outras capitais antes de definir sua posição pública.

Receio de sobreposição à ONU

De acordo com a Folha de São Paulo, um dos principais pontos de preocupação do Brasil é a possibilidade de o Conselho da Paz esvaziar atribuições do Conselho de Segurança da ONU, instância que hoje concentra decisões formais sobre sanções, missões de paz e intervenções internacionais.

Diplomatas avaliam que a criação de um órgão paralelo pode fragilizar o sistema multilateral construído após a Segunda Guerra Mundial, no qual a ONU ocupa papel central.

A postura cautelosa de alguns países já provocou reações diretas de Washington. Após o governo francês sinalizar que não pretende participar do conselho, Trump anunciou a intenção de impor tarifas elevadas sobre vinhos e champanhes da França, episódio interpretado como tentativa de pressão econômica.

No caso brasileiro, integrantes do governo entendem que eventuais divergências sobre o conselho não devem contaminar a relação bilateral, que envolve comércio, meio ambiente e cooperação internacional.

Regras, mandatos e contribuições

O estatuto do Conselho da Paz estabelece mandatos de três anos para os países participantes, com possibilidade de renovação. O financiamento da estrutura ocorreria por meio de contribuições voluntárias.

O texto prevê que Estados que aportarem pelo menos US$ 1 bilhão garantam assento permanente, mecanismo que levanta debates sobre desigualdade de influência entre os membros.

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