Um estudo da Ágora Investimentos analisou a variação do Ibovespa em anos com e sem eleições presidenciais e identificou um desenho recorrente em que a intensidade das oscilações tende a crescer conforme o ano avança.
Na média histórica observada, períodos eleitorais registram nível de variação mais alto do que os demais. A diferença, no entanto, não aparece de forma homogênea desde janeiro. As informações são do portal InfoMoney.
No primeiro semestre, o comportamento dos preços se assemelha ao de anos comuns. A mudança mais visível ocorre na segunda metade do calendário, quando a dispersão dos preços aumenta e se concentra no quarto trimestre.
Segundo semestre concentra maior instabilidade
Enquanto em anos sem disputa nas urnas o mercado costuma ficar menos agitado após junho, nos anos eleitorais ocorre o inverso: a variação ganha força e atinge os picos entre outubro e novembro.
A leitura dos estrategistas é que a diferença não está apenas na média anual, mas na trajetória ao longo dos meses.
O calendário político passa a influenciar decisões de alocação e provoca reavaliações sucessivas das expectativas.
Para investidores estrangeiros, o foco deixa de ser apenas o ciclo de juros e passa a incluir a incerteza sobre rumos econômicos e institucionais do país.
Banco do Brasil segue de perto o índice
Quando a mesma análise é aplicada às ações do Banco do Brasil, instituição financeira controlada pelo governo federal, o padrão se repete de forma mais intensa.
No primeiro semestre, quase não há diferença entre anos eleitorais e não eleitorais. Já na segunda metade do ano, as variações aumentam de maneira relevante.
Os dados indicam que, nesse papel, o efeito do calendário político se traduz em saltos mais acentuados no quarto trimestre, período em que as incertezas eleitorais costumam atingir o auge.
Petrobras tem comportamento mais complexo
A leitura para a Petrobras exige mais cuidado. Em média, a petroleira apresenta números gerais que sugerem menor variação em anos eleitorais.
No entanto, ao observar a distribuição ao longo do ano, o desenho muda. Em anos sem eleição, a empresa apresenta maior instabilidade no início do ano e redução depois.
Já nos períodos eleitorais, a estatal começa o ano mais estável e passa a oscilar com mais força na segunda metade, repetindo o padrão de aceleração observado no índice geral.
2026 pode ser pior
Como apurado pelo E-investidor, em 2022, na disputa mais polarizada da história recente, o Ibovespa encerrou com alta de 4,69%; em 2018, o avanço foi de 15,02%.
Mesmo assim, a intensidade das variações nesses períodos ficou entre as maiores da década, atrás apenas de choques excepcionais como a pandemia em 2020 e o impeachment em 2016.
Um episódio recente já antecipou esse comportamento: em 5 de dezembro, o índice recuou 4,3% em um único pregão após a notícia de que o senador Flávio Bolsonaro poderia disputar a Presidência, movimento interpretado por analistas como uma prévia do padrão que tende a se repetir quando nomes e alianças passam a ganhar definição.
Para especialistas, o fator central não está nos candidatos, mas na percepção sobre a condução das contas públicas. Gustavo Cruz, da RB Investimentos, avalia:
“Seria diferente, por exemplo, se de um lado fosse o Camilo Santana, do PT, contra o governador Ratinho Jr. ou o Tarcísio. Se fosse esse cenário, a volatilidade poderia ser menos. Mas o que vemos a cada quatro anos, e isso aconteceu nos últimos anos eleitorais, são candidatos puxando a polarização e não indo para o centro. Isso faz com que o mercado financeiro sempre trace cenários bem antagônicos do que aconteceria na economia se um ou outro vencesse.”
Mercado reage também a fatores externos
Como divulgado pelo O Brasilianista, o desempenho recente do Ibovespa também tem sido influenciado por fatores internacionais, como indicadores econômicos dos Estados Unidos e redução de tensões geopolíticas.
Em janeiro, o índice renovou máximas históricas impulsionado por dados externos e pelo avanço de ações de grande peso, como Petrobras, Vale e Itaú.
Esse movimento ilustra que, apesar da influência do calendário político interno, o mercado brasileiro continua sensível a acontecimentos globais, que podem amenizar ou intensificar oscilações ao longo do ano.

