A senadora Tereza Cristina assume agora à frente do Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo o Brasil Agro, Cristina aceitou o convite feito pelo presidente da federação, Paulo Skaf.
A ideia da senadora é bater na tecla da força que São Paulo tem no campo do agronegócio, já que o Estado é o segundo maior exportador no Brasil, ficando atrás apenas do Mato Grosso, e chegando a responder a 17% de tudo o que o país vende lá fora nesse setor.
Foco no acordo Mercosul-UE
Tereza deve reforçar que é a favor de fechar o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, mas tem um “porém” importante: as salvaguardas agrícolas. Ela quer resolver essas travas antes da votação prevista para março, pois teme que, se o Brasil não se cuidar, acabe exportando menos do que já exporta hoje.
O problema principal são as regras europeias que podem brecar produtos brasileiros se os preços por lá caírem ou se a Comissão Europeia decidir intervir. Existe um gatilho de 5% que preocupa bastante.
Corrida no Congresso
Com a volta dos trabalhos em Brasília, o pessoal do setor produtivo quer colar na Frente Parlamentar da Agropecuária para garantir que o Brasil não saia perdendo.
O medo é que a Lei Antidesmatamento da Europa (EUDR), que começa a valer no fim do ano, vire um obstáculo e acabe com as vantagens do acordo. Essa preocupação, inclusive, já chegou aos ouvidos do governo federal.
Os europeus e o agronegócio brasileiro
Na semana passada, O Brasilianista informou que a senadora chegou a falar sobre a resistência de alguns políticos da Europa quando o assunto é a agricultura.
O bloco levantou barreiras para blindar os produtores locais e, em dezembro, determinou uma regra que, se julgar necessário, suspenderiam a entrada de carnes e aves, temporariamente.
Na visão da senadora, a pandemia deixou o mundo restrito para o setor, pois os europeus agora tem receio da concorrência e que, por isso, o Brasil precisa regulamentar a Lei da Reciprocidade, para garantir que o país tenha as mesmas proteções que os europeus
O Brasilianista ressalta que essa conversa acontece desde 1999. O plano é que, em dez anos, cerca de 90% dos impostos de importação e exportação sumam ou diminuam aos poucos.
Além disso, o trato prevê que o Brasil consiga vender mais carne, açúcar, etanol e arroz dentro de cotas maiores.
Negócios com a China
Em janeiro, o vice-presidente Geraldo Alckmin, conversou por telefone com o vice chinês, Han Zheng. Dentre as pautas conversadas, o foco ficou nas barreiras que a China impôs à carne bovina do Brasil.
Desde o começo do ano, a China passou a cobrar uma taxa de 55% sobre a carne brasileira que entra no país.
Esse imposto funciona como uma “salvaguarda e serve para proteger os produtores chineses ou controlar o volume que chega de outro país. Austrália e Estados Unidos também enfrentam limitações.
As regras funcionam da seguinte forma:
- Taxa de 55% de imposto
- Com cobrança valendo para o que ultrapassar a cota de 1,1 milhão de toneladas por ano
- A regras valem por três anos
Alckmin destacou que a troca comercial entre Brasil e China cresceu 8,2% no último ano, chegando a US$ 171 bilhões.
O governo reforçou que o agro é peça-chave para a economia do país e que o plano é manter o diálogo aberto para diversificar ainda os negócios.

