Recém-eleito presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, o deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP) afirma que o colegiado terá uma mudança clara de postura em 2026. Para ele, o Brasil “perdeu relevância internacional porque abriu mão de estratégia e de soberania” e precisa recolocar a política externa a serviço de interesses concretos do Estado brasileiro.
Em entrevista exclusiva à Arko Advice, o parlamentar diz que a comissão deixará de ser espaço para retórica diplomática e passará a atuar de forma mais assertiva. “Relações exteriores não são palco para discursos morais, mas instrumentos de poder. A Comissão vai cobrar resultados, expor incoerências e barrar acordos que prejudiquem o país”, afirmou.
Entre as prioridades, Luiz Philippe destaca temas ligados à defesa nacional, ao controle de fronteiras e ao combate ao narcotráfico internacional. Segundo ele, a ausência de uma estratégia clara nessas áreas enfraqueceu a posição do Brasil no cenário global e comprometeu sua capacidade de negociação.
Acordo UE-Mercosul
Um dos primeiros testes da nova gestão será a análise do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, apontado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, como prioridade do Parlamento. Na avaliação do deputado, o texto atual impõe custos desproporcionais ao Brasil. “O acordo não é um tratado de amizade, é um contrato. E contrato ruim se renegocia ou se rejeita”, disse. Para ele, o país corre o risco de assumir obrigações ambientais rigorosas sem garantias equivalentes de acesso a mercados. “O Brasil entra como réu ambiental e sai como fornecedor barato. Isso não é livre comércio.”
Brasil e EUA
Luiz Philippe também foi crítico à estratégia do governo federal de buscar maior cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado e ao narcotráfico. Após o presidente Lula afirmar que pretende se colocar à disposição do presidente norte-americano Donald Trump, inclusive levando autoridades brasileiras a Washington, o deputado avaliou que a iniciativa carece de coerência interna. “Falar em cooperação internacional sem controle efetivo de fronteiras é retórica vazia”, afirmou.
Segundo o parlamentar, antes de intensificar agendas externas, o governo precisa responder por falhas estruturais na segurança pública. “Antes de posar para fotos em Washington, o governo precisa explicar por que facções criminosas dominam rotas, portos e fronteiras no Brasil”, disse. Para ele, a cooperação internacional é necessária, mas só será efetiva se vier acompanhada de uma política firme de segurança e defesa. Caso contrário, “qualquer discurso vira apenas encenação diplomática”.
À frente da Comissão de Relações Exteriores, Luiz Philippe sinaliza que o colegiado terá papel mais ativo na fiscalização do Executivo e na avaliação de acordos internacionais, com foco direto em soberania, segurança e interesse nacional.

