Em pouco mais de um mês, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), protagonizou uma virada política de 180 graus que não passou despercebida nos corredores do Congresso.
Em 2025, Motta se consolidou como um dos principais fiadores da pauta mais sensível da oposição: a dosimetria, tema que o colocou em rota de colisão direta com o governo Lula. À época, o movimento custou caro politicamente. Houve desgaste público, ruídos na relação com líderes governistas e um evidente esfriamento do diálogo com o Executivo.
O cenário, porém, mudou rapidamente no início deste ano. Menos de um mês após a virada do calendário, Motta passou a acelerar uma das agendas mais estratégicas, e caras, para o governo Lula pensando em 2026: a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1.
As propostas
Nesta segunda-feira (09), o presidente da Câmara encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a Proposta de Emenda à Constituição que trata do tema. A comissão analisará, de forma conjunta, a PEC 8/25, de autoria da deputada Erika Hilton (Psol-SP), e a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), duas propostas que dialogam diretamente com a base social do governo.
O gesto tem peso político. Ao destravar a tramitação de uma pauta historicamente associada à esquerda e ao movimento sindical, Motta sinaliza não apenas disposição ao diálogo, mas também sensibilidade ao novo eixo do debate público: trabalho, qualidade de vida e impacto da tecnologia nas relações laborais.
O setor
Nas redes sociais, o presidente da Câmara buscou enquadrar o movimento como institucional, e não ideológico. “Vamos ouvir todos os setores com equilíbrio e responsabilidade para entregar a melhor lei para os brasileiros. O mundo avançou, principalmente na área tecnológica, e o Brasil não pode ficar para trás”, afirmou.
Representantes do setor empresarial temem o impacto sobre a produtividade. A avaliação é que a diminuição da carga horária semanal dificultaria a manutenção do atual volume de produção de bens e serviços, o que poderia elevar custos e, em consequência, pressionar os preços ao consumidor.

