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Política

O que Lula busca ao acelerar a agenda externa

Estratégia é simultânea à tentativa de reaproximação direta com o presidente norte-americano

O que Lula busca ao acelerar a agenda externa

Ao retomar a agenda de viagens internacionais em 2026, o presidente Lula (PT) sinaliza que a política externa voltou a ocupar um papel central em seu governo. O movimento tem um objetivo: neutralizar a percepção de isolamento do Brasil no cenário internacional, crítica que se intensificou após as sanções e o endurecimento comercial impostos pelos Estados Unidos no último ano.

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Essa estratégia é simultânea à tentativa de reaproximação direta com o presidente norte-americano, Donald Trump. Lula tem defendido o diálogo como caminho para a superação de conflitos e aposta no contato direto, “olho no olho”, como instrumento para reconstruir pontes com Washington. A iniciativa ganha contornos mais claros com a previsão de uma viagem aos Estados Unidos em março. O próprio presidente confirmou que trabalha para realizar o encontro, tendo em vista conversar diretamente com Trump e tentar redefinir os rumos da relação bilateral.

UE-Mercosul

Paralelamente às viagens, Lula busca acelerar uma das principais apostas estruturais de sua política externa: o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. O tratado, assinado em janeiro no Paraguai, já foi encaminhado ao Congresso. A estratégia é imprimir celeridade à tramitação para mostrar compromisso político. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou que pretende priorizar o tema após o Carnaval.

E a agenda internacional de Lula em 2026 já começou. Em janeiro, ele esteve no Panamá para a abertura do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, promovido pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe. Além do discurso econômico, a viagem teve peso diplomático e enfatizou a presença brasileira no debate regional.

Ásia

Ainda este mês, antes mesmo do Carnaval, Lula realiza uma excursão pela Ásia. A primeira parada será em Nova Delhi, na Índia, onde se reunirá com o primeiro-ministro do país, Narendra Modi, e participará de um evento sobre Inteligência Artificial. Depois, Lula segue para a Coreia do Sul. O foco no continente asiático tomou corpo após o tarifaço imposto por Trump e, embora parte das medidas tenha sido revertida, o governo brasileiro passou a apostar de forma mais evidente na diversificação de parceiros comerciais.

Alemanha

Em abril, Lula desembarca na Alemanha para participar da Feira de Hannover, considerada a maior feira de tecnologia industrial do mundo. O Brasil foi escolhido como país-parceiro do evento, que tem sido usado por Lula como vitrine para defender a matriz energética brasileira e ampliar o protagonismo do país no debate sobre transição energética.

A partir de maio, com a aproximação do calendário eleitoral, o presidente deve reduzir drasticamente as viagens internacionais e concentrar suas agendas no território nacional.