O salário mínimo é um dos principais mecanismos econômicos para estabelecer uma base para a remuneração de trabalhadores, funcionando como referência de orientação do mercado de trabalho também em outros países do mundo. Apesar de estar entre as maiores economias da América Latina, o pagamento mínimo no Brasil é de R$ 1.621,00 por mês, cenário que coloca o país em desvantagem.
Ao O Brasilianista, o economista Paulo Henrique explica que, ao converter o salário mínimo de outras economias, é possível perceber como o Brasil fica em patamares inferiores. Segundo dados da Trading Economics, o Chile, por exemplo, aumentou em 2025 o pagamento base para 529.000 pesos chilenos, convertido para o real fica entre R$ 2.650 e R$ 3.170. Com isso, o especialista aponta que o tamanho da economia nem sempre influencia em salários maiores.
“Hoje, o Brasil não está bem posicionado nesse ranking. Apesar de ser uma das maiores economias da América Latina, o nosso salário mínimo, principalmente quando convertido em dólar, fica atrás de vários países como Chile, Uruguai e até México. Isso mostra que tamanho da economia não significa necessariamente melhores salários na base da população. Ainda temos um desafio grande de valorização da renda do trabalhador”, explica Paulo Henrique.
Ranking dos salários mínimos América Latina 2026
- Costa Rica: 6332,77 pontos (aprox. R$ 4.150,00)
- Uruguai: US$ 586 (aprox. R$ 3.200)
- Chile: 500.000 pesos chilenos (CLP) (aprox. R$ 2,8 mil por mês)
- Equador: US$ 482 (aprox. R$ 2.500 por mês)
- México: 315 pesos mexicanos (aprox. R$ 90,97 por dia)
- Guatemala: Q 4.002 (quetzais) (aprox. R$ 2.621,68 por mês)
- El Salvador: US$ 490 (aprox. R$ R$ 2.500 por mês)
- Brasil: R$ 1.621,00 por mês
- Venezuela: 13000000 VEF (bolívares antigos) (aprox. R$ 20 por mês)
Os dados são do Trading Economics e podem sofrer alterações conforme atualização das informações pelas instituições oficiais de cada país e por variações cambais.
Custo de vida
No entanto, a remuneração também deve ser analisada a partir do poder de compra de cada país. O Chile pode ser citado como exemplo também nesse cenário, em que mesmo com salários altos é mais caro para viver. “Países como Uruguai e Costa Rica costumam ter um equilíbrio melhor. Eles combinam salários relativamente mais altos com uma economia mais estável. Já o Chile, por exemplo, tem salário alto, mas o custo de vida também é elevado. Então, o ideal é sempre analisar esse conjunto, não só o salário isolado”, de acordo com o especialista.
Nesse sentido, o economista alerta que é necessária uma equiparação entre o salário mínimo e o custo de vida, ou seja, há casos em que os salários mais altos são compensados por preços mais elevados, o que limita o impacto real na renda das pessoas. Na prática, mesmo que o salário seja mais alto, os gastos básicos elevados podem reduzir o seu alcance, fazendo com que não seja suficiente para suprir as necessidades da população.
“O custo de vida é o que define, na prática, quanto aquele salário vale. Dois países podem ter salários parecidos, mas se em um tudo for mais caro, o poder de compra vai ser menor. Então, quando a gente compara países, o ideal é olhar o salário já ajustado ao custo de vida, porque isso mostra a realidade de consumo das pessoas”, alerta o economista Paulo Henrique.
Salário mínimo do Brasil é suficiente?
No Brasil, a avaliação do IBGE aponta que o salário mínimo deveria ser de pelo menos R$ 7.425,99 para cobrir os gastos com alimentação e cumprir a determinação constitucional, conforme noticiado pelo O Brasilianista. O especialista confirma que o salário mínimo no país não consegue arcar com todas as necessidades básicas com conforto, principalmente em relação a moradia, alimentação e transporte.
Com a situação, famílias de baixa renda buscam complementar a renda com programas sociais do governo. “Muitas famílias acabam precisando complementar renda ou recorrer a políticas sociais. Isso mostra que ainda existe uma defasagem entre o que se ganha e o custo real de viver no país”, descreve Paulo Henrique.

