A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado no Senado deve votar, após o carnaval, requerimentos para quebra de sigilo e convocação de pessoas relacionadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, e ao Banco Master. A decisão foi anunciada pelo relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), em meio à repercussão de investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.
O foco inicial das apurações está em empreendimentos turísticos que contaram com participação de familiares do magistrado. A iniciativa ocorre após a Polícia Federal encontrar menções ao ministro em dados extraídos do celular de Vorcaro, o que ampliou a pressão por esclarecimentos no âmbito da CPI.
Segundo o Estadão, a comissão pretende concentrar os primeiros pedidos de quebra de sigilo em resorts associados a dois irmãos de Toffoli. O ministro atua como relator de um processo sigiloso envolvendo o Banco Master no Supremo, o que intensificou o interesse da comissão nos negócios ligados ao caso.
Investigações sobre resorts e familiares
O relator Alessandro Vieira afirmou que os requerimentos devem atingir empreendimentos turísticos que tiveram participação de parentes do ministro. A intenção é esclarecer a estrutura societária, a origem dos recursos e eventuais vínculos com investigados.
“O Tofollão é um escândalo tão grande que não dá para esconder nas artimanhas do sistema. O Brasil só será uma República com todos sob a mesma lei”, escreveu Vieira em sua conta no X.
As investigações incluem o resort de luxo Tayayá, localizado no interior do Paraná. O empreendimento teve participação do engenheiro José Eugênio Dias Toffoli e do padre José Carlos Dias Toffoli, irmãos do ministro do STF.
O pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, é proprietário de fundos de investimento que adquiriram parte da participação milionária dos familiares do ministro no empreendimento. A cunhada de Toffoli, Cássia Pires Toffoli, esposa de José Eugênio, negou que o marido tenha sido sócio da empresa que chegou a deter um terço do resort.
Outros empreendimentos e conexões investigadas
Além do primeiro resort, a CPI também deve analisar a participação dos irmãos do ministro em outro empreendimento da rede Tayayá, situado às margens do Rio Paraná. A comissão pretende verificar possíveis conexões financeiras e societárias relacionadas aos negócios.
A investigação busca identificar eventuais vínculos entre operações comerciais e suspeitas de lavagem de dinheiro ou irregularidades financeiras. Para o relator, há elementos que justificam ampliar a análise sobre o Banco Master dentro do escopo da comissão.
A CPI foi instaurada em novembro do ano passado com o objetivo de apurar atividades ligadas à atuação de facções criminosas, corrupção, lavagem de dinheiro e questões relacionadas ao sistema prisional brasileiro.
Os senadores pretendem reunir documentos e ouvir pessoas que possam esclarecer a participação de empresas e indivíduos investigados, além de analisar contratos e movimentações financeiras.
Escritório ligado à esposa de Alexandre de Moraes
A comissão também deve votar requerimentos envolvendo o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O objetivo é obter informações sobre contratos firmados com o Banco Master.
De acordo com a apuração mencionada, o contrato entre o escritório e a instituição financeira poderia alcançar R$ 129 milhões caso fosse integralmente executado. A CPI pretende esclarecer os detalhes da contratação e avaliar possíveis implicações.
O avanço dessas medidas faz parte da estratégia dos parlamentares para mapear relações entre agentes públicos, empresas e operações financeiras sob investigação. A comissão avalia que a coleta de dados bancários, fiscais e telefônicos pode contribuir para o esclarecimento dos fatos.
A expectativa é que os requerimentos sejam votados na semana seguinte ao carnaval, marcando uma nova etapa das investigações conduzidas pelo Senado. O relator defende que a apuração deve ocorrer de forma ampla, com foco na identificação de eventuais irregularidades e responsabilidades.

