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Justiça

Entenda os embates de Gilmar Mendes com Romeu Zema e Alessandro Vieira

O ministro do Supremo Tribunal Federal solicitou inclusão de ex-governador de MG no Inquérito das Fake News

Entenda os embates de Gilmar Mendes com Romeu Zema e Alessandro Vieira

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem concedido diversas entrevistas e causado fortes reações na Política e no Judiciário. As afirmações do decano — integrante mais antigo da atual composição da Corte — são respostas às falas de Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais (MG), e dos atos do senador Alessandro Vieira.

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Na terça-feira (21), Gilmar solicitou a Alexandre de Moraes a inclusão de Zema no Inquérito das Fake News após o ex-governador mineiro criticar o STF. O decano da Corte relembrou MG só manteve o funcionamento da máquina pública porque ele proferiu uma decisão liminar que permitiu ao governo de Minas Gerais suspender o pagamento de dívidas com a União por 22 meses.

Gilmar disse ainda que Zema se expressa em dialeto. O ex-governador mineiro filiado ao partido Novo reagiu à fala, classificando a postura do ministro como esnobe e definindo o tribunal como incendiário.

A frente contra Vieira

Relatório previa responsabilização de autoridades, mas não avançou entre os membros da comissão (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)
Relatório previa responsabilização de autoridades, mas não avançou entre os membros da comissão (Crédito: Lula Marques/Agência Brasil)

Paralelamente, Gilmar Mendes acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o senador Alessandro Vieira após o parlamentar sugerir no relatório da CPI do Crime Organizado elaborado por ele o indiciamento do ministro, de Moraes, de Dias Toffoli e de Paulo Gonet, procurador-geral.

O pedido de indiciamento foi feito por Vieira em 14 de abril, mas não foi aprovado pelos outros integrantes da CPI. Segundo Gilmar, a conduta de parlamentares em comissões parlamentares de inquérito (CPIs) é ridícula.

Alessandro Vieira rebateu as críticas de Gilmar Mendes afirmando que o ministro dobra a aposta no confronto com o Legislativo. No pedido de providências à PGR, Gilmar insinua que o senador cometeu abuso de autoridade.

Caso Master

SFN não está comprometido com liquidações do conglomerado Master
Investigações sobre o Master no STF envolvem a apuração de fraudes e o bloqueio de bilhões em bens (Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil)

No contexto das investigações do Caso Master, Gilmar defendeu Moraes, que liberou para julgamento a limitação de delações premiadas. Para Gilmar, é uma ilação indevida associar a análise do tema ao andamento das investigações.

As investigações sobre o Banco Master no STF envolvem a apuração de supostas fraudes e o bloqueio de bilhões em bens. O ministro Dias Toffoli autorizou a quebra de sigilo fiscal e bancário de pessoas investigadas por operações que indicam aproveitamento de vulnerabilidades no mercado de capitais.

Mas o Caso Master também afetou ministros da Corte. Dias Toffoli e Alexandre de Moraes foram bastante pressionados por suspostas ligações com o banco de Daniel Vorcaro. Ambos negam qualquer irregularidade.

Toffoli foi o relator original das investigações sobre o Banco Master no STF, mas deixou o processo em fevereiro de 2026 após revelações sobre seus negócios privados. Ele foi substituído na relatoria por André Mendonça.

A Polícia Federal (PF) apontou que um fundo de investimento ligado a Vorcaro comprou uma participação no resort Tayayá, no Paraná, que pertence à família de Toffoli. O ministro confirmou ser sócio da empresa Maridt SA, mas negou ter recebido valores diretamente de Vorcaro.

Apesar do desgaste, o STF emitiu nota de apoio ao ministro, afirmando que ele atendeu a todos os pedidos da PF e da PGR durante sua gestão no caso. Recentemente, Gilmar Mendes anulou quebras de sigilo da empresa Maridt.

Essa questão envolvendo Toffoli e o Master também aprofundou as rusgas entre o STF e a PF, acusada pelos ministros de instrumentalizar a investigação para pressionar a Corte. A disputa entre a Polícia Federal e o integrante do Supremo vem desde a Lava Jato, como já mostrouO Brasilianista.

As pressões sobre Moraes focam em contratos milionários entre a esposa do ministro, a advogada Viane Barci de Moraes, e o Master. Também há alegações de que o ministro teria viajado em aviões de Vorcaro, o que o magistrado nega.

Os efeitos

Pressão no Congresso cresce após mudança no rito de impeachment de ministros (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
STF defende reformar CPIs e Congresso quer o impeachment de um ministro do STF (Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Os efeitos dessa briga serão sentidos ao longo dos próximos meses e anos. Da parte do STF, cresce a pressão pela reforma do modelo das comissões parlamentares de inquérito. Além de Gilmar Mendes, Flávio Dino já externou sua opinião sobre essa necessidade.

No Congresso, o principal efeito é o aumento da pressão no Senado pela abertura de um processo de impeachment contra um ministro do STF. A oposição e o bolsonarismo têm apresentado pedidos. Até agora, os alvos foram Moraes, Toffoli e o próprio Gilmar.

Essa disputa também se transformará num movimento Legislativo pela reforma do Judiciário — já se passaram pouco mais de 20 anos desde a última vez que isso foi feito. A Ordem dos Advogados do Brasil já começou a se movimentar, tanto o Conselho Federal quanto suas seccionais.

Para o Executivo, a briga aproxima ainda mais o governo Lula do STF. Ambos sabem que serão engolidos pelo Congresso caso não se unam. A parceria também ajuda o governo a controlar os estragos políticos causados pelo Master.