A economia argentina opera sob forte impacto nesta quinta-feira (19), devido à greve geral convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT). O Instituto de Economia da Universidade Argentina de la Empresa (Uade) projeta que as perdas financeiras do dia podem oscilar entre US$ 400 milhões e US$ 600 milhões.
De acordo com o Clarín, um dos maiores jornais da Argentina, o teto dessa estimativa representa 20,3% da produção diária do país e cerca de 0,8% do PIB projetado para o mês de fevereiro. A interrupção total dos serviços de transporte público, ônibus, trens e metrô, é apontada pelo levantamento como o principal motor do prejuízo.
Caso esses setores não tivessem aderido, o impacto financeiro seria reduzido para aproximadamente US$ 180 milhões. No setor aéreo, a estatal Aerolíneas Argentinas confirmou o cancelamento de 255 voos hoje, gerando um prejuízo de US$ 3 milhões.
A medida afeta diretamente o Brasil, com a suspensão de 21 rotas conectando os dois países. Ao todo, 20 mil passageiros foram atingidos em operações que incluem:
- 216 voos domésticos
- 25 voos regionais
- 17 voos de longa distancia
Perdas e recuperação setorial
O relatório da Uade destaca que, por ocorrer em fevereiro, período de menor atividade econômica sazonal, o impacto tende a ser inferior ao que seria registrado em outros meses.
A expectativa é de que 60% dos valores perdidos hoje sejam recuperados ao longo do próximo mês. Entretanto, a capacidade de recuperação varia drasticamente entre os segmentos:
- Varejo: previsão de recuperar 30% da receita não realizada;
- Bares e Restaurantes: perdas consideradas irrecuperáveis;
- Manufatura e Construção: concentram os maiores danos de produção, com difícil compensação posterior.
Reforma Trabalhista em pauta
A greve é uma reposta ao avanço da reforma trabalhista promovida pelo presidente do país, Javier Milei, na Câmara dos Deputados após aprovação no Senado na semana passada.
Conforme já divulgado pelo O Brasilianista, os principais pontos da Reforma são:
- Redução de custos e flexibilização da contratação: busca diminuir encargos aos empregadores e flexibilizar regras, incluindo mudanças no cálculo de indenizações por demissão sem justa causa
- Banco de horas: mecanismos que permitem converter horas extras em folgas em períodos de baixa atividade, substituindo o pagamento adicional imediato
- Fundo de Assistência ao Trabalho (FAL): instrumento para garantir o pagamento de obrigações e indenizações, visando reduzir disputas na justiça e aumentar a segurança jurídica
- Incentivos à formalização: previsão de reduzir temporariamente as contribuições pagas pelos patrões para empresas que regularizarem seus trabalhadores.
- Negociação coletiva no âmbito empresarial: maior abertura para acordos diretos entre empresas e empregados, diminuindo o peso das convenções coletivas de grandes setores.
- Objetivos declarados pelo governo: aumentar a competitividade, combater a informalidade, atrair novos investimentos e modernizar o mercado de trabalho atual.
Argumentos da oposição sindical
A CGT justifica a mobilização pelo “absoluto rechaço” ao projeto, alegando que a proposta compromete direitos previstos na Constituição.
A entidade sustenta que, sob a atual política econômica, foram eliminados 120 mil postos de trabalho no setor privado, 80 mil no setor público e 25 mil no trabalho doméstico nos últimos dois anos, vinculando o cenário de desemprego e pobreza às diretrizes do governo de Javier Milei.

