Está marcada para a próxima segunda-feira (02) uma audiência pública que deve debater a reestruturação de carreiras no Banco do Brasil. A audiência será realizada pela Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, a pedido da deputada Erika Kokay (PT-DF).
Segundo a Agência Câmara de Notícias, a reunião está marcada para às 10h (de Brasília), no plenário 12. O objetivo será debater sobre o processo recente de reestruturação do banco e seus impactos, especialmente dos chamados “movimentos estruturantes”.
Para a deputada Kokay, as novas medidas geram preocupações em relação a uma possível ampliação indevida da jornada de trabalho, reclassificação de funções técnicas e descomissionamentos.
O foco é entender se o processo de reestruturação pode implicar em redução de salários e provocar instabilidade funcional, adoecimento e insegurança entre os trabalhadores.
A deputada alega que, em conversa com entidades representativas, a mudança na estrutura do Banco do Brasil força uma movimentação de pessoal, fechamento de unidades e criação de excedentes, configurando um ambiente de forte pressão laboral.
“Embora o banco associe parte dessas iniciativas a estratégias de modernização e aceleração digital, é fundamental que o Parlamento promova um espaço de diálogo transparente para avaliar os efeitos dessas mudanças sobre os bancários, a qualidade do atendimento à população e o papel estratégico do Banco do Brasil no desenvolvimento nacional”, afirma Kokay.
Quem estará presente na audiência?
De acordo com informações da Câmara Legislativa, estarão presentes no debate:
- Valter Souza Pugliesi – Presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho – ANAMATRA;
- Representante Institucional do Banco do Brasil;
- Carolina Mercante – Representante do Ministério Público do Trabalho – MPT;
- Rodrigo Britto – Presidente da Federação das Trabalhadoras e dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro Norte – Fetec-CUT/CN;
- Eduardo Araújo – Presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília – SEEB Brasília
- Ana Magnólia Bezerra Mendes – Professora Titular da Universidade de Brasília, atualmente Pesquisadora Colaboradora no Departamento de Psicologia Social e do Trabalho;
- Valmir Camilo – Presidente da Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil -ANABB.
Quem comanda o Banco do Brasil?
O Banco do Brasil (BB) é a primeira instituição financeira do país e teve sua fundação em 1808, junto da vinda da família real portuguesa ao país — ele se tornou o primeiro banco da América do Sul e quarto do mundo.
O banco tinha como objetivo emitir moedas, financiar a indústria e comércio e conceder crédito ao governo. Vale destacar que o Banco do Brasil foi o percursor das cédulas, emitindo os primeiros “bilhetes” apenas dois anos depois de sua criação. Esse “papel moeda” começou como um recibo que donos de cofres entregavam, confirmando a quantidade de dinheiro que uma pessoa tinha.
No entanto, esse não é o mesmo Banco do Brasil como é conhecido hoje. Pouco após a independência do Brasil, em 1822, o banco entrou em falência em 1829 em meio à entrada do Império e foi forçado a encerrar suas operações.
Logo depois, bancos privados começaram a surgir para cuidar do dinheiro da população e também do governo imperial.
Em 1853, surge a necessidade de voltar com o Banco do Brasil, que segue em funcionamento até hoje. Ele resistiu à Proclamação da República, ditaduras e até o período de redemocratização.
O BB é atualmente uma sociedade de economia mista, constituída por capital público e privado. Ou seja, o governo é o sócio majoritário do Banco do Brasil e é responsável pelas funções principais da instituição financeira.
Ele tem presença significativa em todos os estados brasileiros, entre rede própria e com parceiros, além de desenvolver atividades em outros importantes centros financeiros mundiais.
Entre suas demais contribuições, há o Centro Cultural Banco do Brasil, que financia projetos artísticos e culturais por todo o país.

